Não é Noronha, nem Lençóis: a vila brasileira que é proibido carros, não tem asfalto e foi eleita uma das mais bonitas do mundo

Vila no Ceará preserva ruas de areia, céu limpo e acesso controlado, atraindo turistas do mundo todo

Magno Oliver Magno Oliver -
Vista de Jericoacoara, no Ceará, com ruas de areia, casas simples e paisagem litorânea preservada e praia linda
(Foto: Reprodução)

Ruas de areia no lugar de asfalto, casas caiadas e um céu estrelado sem um único poste de luz atrapalhando o brilho.

Parece cenário de outro tempo, mas esse lugar existe, fica no Nordeste brasileiro e é apontado como um dos mais bonitos do planeta.

Trata-se de Jericoacoara, no litoral oeste do Ceará, a cerca de 300 km de Fortaleza.

A fama internacional da vila tem data e sobrenome: em 1994, o jornal americano The Washington Post elegeu a praia como uma das dez mais bonitas do mundo.

A história começou uma década antes, quando o jornalista Cal Fussman atravessou as dunas nos anos 1980 e levou o vilarejo às páginas do mesmo jornal. Dali em diante, Jeri nunca mais saiu do mapa dos viajantes globais.

Da aldeia de pescadores ao mapa do mundo

Até meados dos anos 1980, Jericoacoara era apenas uma aldeia de pescadores isolada por dunas, sem luz, sem telefone e sem estrada. O acesso era feito no lombo de burro, a pé pela areia ou de jangada.

O próprio nome carrega essa origem antiga, vindo do tupi e ligado à toca das tartarugas-marinhas que desovam na praia até hoje.

Quando a energia elétrica finalmente chegou, em 1998, os moradores tomaram uma decisão que definiria a identidade do lugar: enterrar toda a rede para não instalar postes e preservar o céu limpo sobre as ruas de areia.

Por que os carros não entram na vila

Outra marca registrada de Jeri é a ausência de trânsito. A circulação de veículos particulares é proibida dentro da vila, uma regra municipal que protege as ruas de areia e a mobilidade a pé.

Na prática, quem chega de carro deixa o veículo em Jijoca ou no estacionamento autorizado na entrada e segue nos últimos trechos em jardineiras 4×4, que cruzam as dunas do parque.

Todo visitante também paga a Taxa de Turismo Sustentável, hoje em R$ 41,50 por pessoa, com validade de dez dias.

Crianças de até 12 anos, idosos acima de 60 e pessoas com deficiência são isentos.

O que ver com os pés na areia

As atrações se dividem entre a própria vila, o lado leste e o oeste, e a maioria dos passeios sai de buggy ou 4×4 com guias locais. Entre os cartões-postais que

Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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