Prédio ganha mural gigante pintado a 105 metros de altura e chama atenção em Goiânia
Painel de 240 m² foi produzido inteiramente à mão e exigiu vários dias de trabalho dos artistas

Pintar uma obra de 240 m² já não seria uma tarefa simples. Fazer isso manualmente, a 105 metros do chão, transformou o trabalho do coletivo goiano Bicicleta Sem Freio em um dos maiores desafios da trajetória dos artistas.
O resultado agora ocupa o alto de um edifício no Setor Marista, em Goiânia, no equivalente ao 34º andar, e já pode ser avistado de diferentes pontos da Região Sul da capital.
Com 10,04 metros de altura e 23,93 metros de largura, o mural é a obra executada na maior altura desde a criação do coletivo.
Para levar a ilustração até uma superfície dessas proporções, não houve impressão ou aplicação digital. Todo o painel foi reproduzido manualmente, em um trabalho iniciado nos primeiros meses de 2026.
Segundo Renato Pereira, artista e cofundador do Bicicleta Sem Freio, a dimensão da pintura obrigou a equipe a recorrer a uma técnica tradicional de ampliação.
“Uma obra dessa proporção tem como complexidade justamente a estrutura e a escala. Estamos falando de um painel com mais de 240 metros quadrados, executado em vários níveis de altura”, explicou.
A superfície foi dividida em quadrantes e cada parte do desenho reproduzida separadamente, até que a composição ganhasse forma no alto do edifício.
Inspiração veio das ruas
Personagens caminhando, correndo e celebrando dividem espaço com formas geométricas na composição. A inspiração, segundo Renato, veio do próprio cotidiano da região da Ricardo Paranhos.
“Estamos próximos à Ricardo Paranhos, um espaço onde as pessoas caminham, praticam atividades físicas e aproveitam a cidade. Por isso a ilustração traz personagens correndo, caminhando, vivendo e celebrando. Existe uma energia muito positiva nesse mural”, afirmou.
A localização também fez com que a pintura ultrapassasse visualmente os limites do edifício. Por causa da altura, o painel já foi percebido por pessoas que circulavam em diferentes pontos de Goiânia.
Renato contou que o coletivo recebeu mensagens de moradores relatando terem avistado a obra à distância.
“Isso mostra como a arte pode ultrapassar os limites do edifício e se tornar um patrimônio visual compartilhado pela cidade”, avaliou.
Fundado em Goiás, em 2005, por Douglas de Castro e Renato Pereira, o Bicicleta Sem Freio ganhou projeção internacional com trabalhos marcados por personagens expressivos, elementos psicodélicos e murais de grandes proporções.
Com trabalhos espalhados por diferentes países, o grupo soma agora à trajetória a pintura realizada na maior altura desde a criação do coletivo.
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