Aos 16 anos, eles transformaram cascas de ovo e borra de café jogadas fora em um material capaz de fazer a semente brotar com só 3 ml de água, criando uma solução barata contra a seca

Revestimento desenvolvido por estudantes baianos aproveita resíduos de alimentos, retém umidade e aumentou a germinação em testes feitos sob condições de estiagem

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
revestimento de sementes com resíduos
O revestimento de semente tem como base água, água destilada, açúcar, amido de milho e alimentos desperdiçados, como casca de ovo, de verduras, de banana, de maracujá e borra de café. (Foto: Divulgação)

Dois estudantes baianos de 16 anos transformaram resíduos que normalmente iriam para o lixo em uma possível ferramenta contra os efeitos da seca no Nordeste.

América Ellen de Sousa e Rian Victor Pereira desenvolveram um revestimento para sementes à base de amido de milho, açúcar, água e restos de alimentos, como cascas de ovo, banana, maracujá, verduras e borra de café.

Nos testes, a solução permitiu que sementes germinassem usando apenas 3 ml de água. Além disso, o material aumentou em até 80% a germinação em comparação com sementes sem o revestimento.

Ideia nasceu dentro da escola

Os jovens desenvolveram o projeto no grupo de iniciação científica Bioativos, da Escola SESI Djalma Pessoa, na Bahia.

A proposta uniu dois problemas comuns na região: a falta de água e o desperdício de alimentos.

América contou que aprendeu em casa a aproveitar os alimentos por completo. Já Rian cresceu em contato com hortas e levou para a pesquisa a experiência adquirida com o cultivo de plantas.

Como funciona o revestimento

Primeiro, os estudantes criam uma pequena camada com água e açúcar ao redor da semente.

Depois, acrescentam uma mistura de amido de milho com o pó produzido a partir dos resíduos alimentares.

O amido ajuda a absorver e reter água. Ao mesmo tempo, as cascas e a borra de café fornecem nutrientes que favorecem o desenvolvimento inicial da planta.

Dessa forma, a semente recebe umidade e nutrientes mesmo quando cresce em solo pouco favorável.

Cada solo recebeu uma fórmula diferente

Os estudantes testaram o material em terra, areia branca e solo arenoso, comuns em áreas do Nordeste.

Na terra, o revestimento com cascas de verduras apresentou melhor resultado. Na areia branca, a casca de maracujá mostrou maior eficiência.

Já no solo arenoso, o pó de casca de ovo apresentou o melhor desempenho.

A equipe escolheu sementes de rúcula para os experimentos porque a planta exige umidade e temperaturas mais amenas, condições difíceis de encontrar durante a estiagem.

Solução pode ajudar agricultores familiares

O objetivo dos jovens é ampliar os testes e buscar parcerias com restaurantes para recolher resíduos de alimentos.

Assim, o grupo pretende baratear a produção e levar o revestimento para agricultores familiares que enfrentam perdas provocadas pela seca.

O projeto também recebeu o Prêmio Casio na Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia.

Agora, os estudantes querem transformar a pesquisa escolar em uma solução acessível, capaz de reduzir desperdícios e aumentar as chances de cultivo em regiões com pouca água.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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