Estudantes do interior do Ceará transformam casca de maracujá em material que mantém o solo úmido por 21 dias e vão à maior feira de ciências do mundo
Projeto criado em Cascavel reaproveita resíduos do fruto para desenvolver biocompósitos agrícolas de baixo custo e com potencial sustentável

Três estudantes do interior do Ceará transformaram um problema ambiental em uma solução com potencial para ajudar agricultores. A partir de resíduos do maracujá, eles desenvolveram um material capaz de reter umidade no solo e reduzir a presença de ervas daninhas.
O projeto se chama Sustainpoly e foi criado por Davi Oliveira Silva, João Pedro Monteiro Silva e Jordana da Silva Mendonça, alunos da E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis, em Cascavel (CE). A pesquisa foi orientada por Francisco Augusto Oliveira Santos e Mônica Barbosa Canuto.
Além disso, o trabalho ganhou destaque nacional na FEBRACE 2026. Com o resultado, os estudantes foram credenciados para representar o Brasil na Regeneron ISEF 2026, considerada a maior feira internacional de ciências e engenharia para estudantes pré-universitários.
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Como nasceu a ideia
O Brasil lidera a produção mundial de maracujá, e o Nordeste tem grande participação nesse cenário. No entanto, o processamento do fruto gera resíduos que nem sempre recebem aproveitamento adequado.
Por isso, os estudantes decidiram investigar uma forma de transformar esse descarte em tecnologia para o campo.
A pesquisa utiliza o mesocarpo do maracujá, parte presente na casca do fruto. A partir dele, os jovens obtiveram um hidrogel, chamado HMM, que serviu como base para a produção dos biocompósitos.
O que o material faz no solo
O biocompósito desenvolvido pelos estudantes apresentou resultados promissores em aplicações agrícolas.
Nos testes, o material manteve a umidade média do solo em 92% por até 21 dias. Além disso, reduziu em 87,14% a infestação de ervas daninhas, segundo o resumo técnico do projeto.
Dessa forma, a tecnologia pode ajudar no uso mais eficiente da água. Isso é especialmente importante em regiões que enfrentam períodos de seca ou dependem de irrigação controlada.
Baixo custo chama atenção
Outro ponto que chamou atenção foi o custo. De acordo com os dados apresentados na FEBRACE, os biocompósitos variaram entre R$ 0,07 e R$ 0,17 por 200 g.
Assim, a proposta combina sustentabilidade com acessibilidade. Afinal, além de reaproveitar resíduos agroindustriais, o projeto busca oferecer uma alternativa viável para pequenos produtores.
A pesquisa também avaliou aplicações contra moscas-das-frutas e formigas cortadeiras. Portanto, o material pode ter uso multifuncional no manejo agrícola.
Do Ceará para o mundo
O Sustainpoly conquistou o 2º lugar na categoria Ciências Agrárias da FEBRACE 2026 e recebeu credencial para a Regeneron ISEF. A Secretaria da Educação do Ceará também destacou o projeto entre os trabalhos premiados da rede pública estadual.
Depois, na etapa internacional, os estudantes ficaram em 4º lugar na categoria Engenharia Ambiental. Além disso, receberam o 1º lugar no prêmio concedido pela Sigma Xi, sociedade honorária de pesquisa científica, na área de Ciências da Vida.
Por que a pesquisa importa
O projeto mostra como resíduos agrícolas podem virar soluções de maior valor agregado. Além disso, reforça a importância da economia circular, que busca reaproveitar materiais antes descartados.
No caso do maracujá, a casca deixa de ser apenas sobra do processamento e passa a servir como base para um material biodegradável, barato e útil para a agricultura.
Com foco em sustentabilidade, baixo custo e aplicação no campo, a criação dos estudantes cearenses mostra como a ciência feita na escola pode responder a desafios reais da produção agrícola.
Confira o projeto clicando aqui.
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