A proporção certa de cimento no reboco para a parede não soltar, não esfarelar e não dar umidade, segundo pedreiros

Dosagem equilibrada, preparo correto da parede e impermeabilização adequada evitam desperdícios e problemas depois da obra

Gabriel Dias Gabriel Dias -
A proporção certa de cimento no reboco para a parede não soltar, não esfarelar e não dar umidade, segundo pedreiros
(Foto: Reprodução)

Acertar a quantidade de cimento no reboco é fundamental para conseguir uma parede firme, uniforme e preparada para receber pintura. No entanto, colocar cimento em excesso não significa que o revestimento ficará mais resistente.

Na prática, uma massa muito forte pode perder flexibilidade e apresentar trincas. Já a falta de cimento reduz a resistência e pode fazer o reboco esfarelar, soltar ou formar áreas ocas.

Como referência, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) recomenda para a camada de acabamento um traço de 1:2:9. Isso significa uma parte de cimento, duas de cal e nove de areia, sempre medidas pelo mesmo recipiente.

Qual é a proporção certa para o reboco?

Um traço bastante utilizado no acabamento de paredes é:

  • 1 medida de cimento;
  • 2 medidas de cal hidratada;
  • 9 medidas de areia fina ou média peneirada.

Assim, para cada lata de cimento, podem ser utilizadas duas latas de cal e nove de areia. A água deve ser acrescentada aos poucos, apenas até a argamassa ficar homogênea, plástica e fácil de aplicar.

A função da cal é melhorar a trabalhabilidade e a capacidade de a massa acompanhar pequenas movimentações da parede. Ela também ajuda na retenção de água e no acabamento.

Entretanto, a dosagem pode mudar conforme o tipo de bloco, a qualidade da areia, o ambiente e a espessura do revestimento. Em obras maiores ou situações específicas, o traço deve seguir o projeto e a orientação de um profissional habilitado.

Mais cimento não deixa o reboco melhor

Um dos erros mais comuns é aumentar a quantidade de cimento na tentativa de deixar a parede mais resistente. O resultado pode ser uma argamassa rígida demais e mais sujeita ao aparecimento de fissuras.

Além disso, usar água em excesso enfraquece a massa depois da secagem. Por isso, a mistura não deve ficar líquida nem escorrer facilmente da colher.

A areia também interfere diretamente no resultado. Ela deve estar limpa, peneirada e livre de terra, raízes, matéria orgânica ou outras impurezas.

O que fazer para o reboco não soltar

A aderência não depende apenas da proporção dos materiais. Antes de receber o revestimento, a parede deve estar limpa, firme e sem poeira, óleo, tinta ou partes soltas.

O chapisco também tem papel importante, pois cria uma superfície áspera para a fixação das camadas seguintes. Sem uma base adequada, o reboco pode descolar, trincar ou apresentar som oco, mesmo quando a massa foi preparada corretamente.

A parede deve ser levemente umedecida antes da aplicação, principalmente em períodos quentes e secos. No entanto, ela não pode estar encharcada.

Também é necessário respeitar o tempo entre as etapas. Segundo a ABCP, o reboco de acabamento deve ser aplicado pelo menos sete dias depois da execução do emboço.

Como evitar que a parede esfarele

O esfarelamento costuma estar relacionado a pouco cimento, areia inadequada, excesso de água ou secagem rápida demais. Medir os ingredientes “a olho” também aumenta o risco de diferenças entre uma mistura e outra.

O ideal é utilizar sempre o mesmo balde ou lata como unidade de medida. Primeiro, os materiais secos devem ser misturados até apresentarem cor uniforme. Somente depois a água deve ser colocada gradualmente.

Após a aplicação, é importante evitar que o reboco perca água depressa demais. Sol forte, vento intenso e calor excessivo podem prejudicar a cura e favorecer fissuras superficiais.

Proporção de cimento não resolve umidade

Apesar do que muitas pessoas acreditam, colocar mais cimento na massa não impede infiltrações. O reboco convencional não substitui a impermeabilização.

A umidade pode surgir por vazamentos, chuva batendo na fachada, falhas no telhado ou água do solo subindo pela alvenaria. Quando existe umidade por capilaridade, a origem precisa ser tratada antes da aplicação do revestimento.

Fundações sem impermeabilização ou com falhas podem permitir que a água seja absorvida pela parede, principalmente na região do rodapé. Nesses casos, apenas retirar o reboco danificado e refazê-lo pode fazer o problema voltar.

Áreas externas, fachadas, banheiros e paredes em contato com o solo podem exigir impermeabilizantes ou argamassas específicas. A escolha deve considerar a origem da água e as orientações do fabricante.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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