Trabalhador da roça é preso e multado em quase R$ 2 milhões por cultivar fruta patenteada sem ter autorização

Caso envolvendo milhares de árvores expôs uma regra pouco conhecida que pode transformar uma plantação comum em problema judicial

Layne Brito -
Trabalhador da roça é preso
(Foto: Reprodução/Pexels)

Plantar, colher e vender frutas pode parecer uma atividade livre de grandes entraves além das exigências sanitárias e comerciais. No entanto, determinadas variedades agrícolas possuem proteção legal e não podem ser reproduzidas sem autorização.

Foi esse tipo de situação que levou um produtor rural da Espanha a ser detido após cultivar uma nectarina protegida.

O homem também ficou sujeito a uma multa de até € 288 mil, quantia próxima de R$ 2 milhões na conversão direta.

A investigação ocorreu na província de Lleida, importante região agrícola do país.

O caso começou após a empresa detentora dos direitos sobre a variedade denunciar que as plantas estariam sendo reproduzidas e exploradas comercialmente sem licença.

Plantação tinha cerca de 5 mil árvores

Durante as apurações, agentes encontraram aproximadamente 5 mil árvores distribuídas em três propriedades rurais.

A suspeita é de que as mudas tenham sido multiplicadas por meio de enxertos, sem o pagamento das taxas exigidas para o uso comercial da variedade.

Para confirmar a origem das plantas, amostras foram submetidas a análises genéticas. Os resultados indicaram compatibilidade com a nectarina protegida, reforçando a acusação de reprodução sem autorização.

Depois de prestar depoimento, o agricultor foi liberado.

O processo, porém, continuou sob análise por possível violação de direitos de propriedade industrial.

Fruta não é comum

Apesar de o caso ser chamado popularmente de “fruta patenteada”, a proteção recai sobre uma variedade específica desenvolvida por meio de seleção e melhoramento.

Esses trabalhos buscam características como maior produtividade, sabor diferenciado, resistência a doenças, aparência uniforme e durabilidade após a colheita.

Quando a variedade recebe proteção, sua multiplicação comercial fica restrita.

Quem deseja cultivá-la precisa comprar mudas de origem regular e, conforme o contrato, pagar royalties ao responsável pelo desenvolvimento.

Regra também existe no Brasil

A legislação brasileira também permite a proteção de novas cultivares.

Na prática, isso significa que agricultores não podem reproduzir livremente todas as sementes e mudas disponíveis no mercado.

Antes de formar uma plantação, o produtor deve verificar a procedência do material, guardar notas fiscais e confirmar se existe alguma restrição de reprodução.

Além de multas e apreensões, o uso irregular pode causar perda de toda a produção e gerar disputas judiciais.

Por isso, uma muda aparentemente comum pode carregar direitos comerciais capazes de mudar completamente o custo e a legalidade do cultivo.

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Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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