Aos 16 anos, estudantes transformaram cascas de ostra jogadas fora em uma cerâmica capaz de substituir o gesso na construção, criando uma solução barata a partir de resíduos da pesca
Uma descoberta nasceu na escola e conquistou reconhecimento por resolver desafio importante da comunidade

As estudantes Giovana Andrade e Maria Eloíza Ferreira, ambas com 16 anos, transformaram um problema ambiental comum em Itapissuma, no Grande Recife, em uma solução voltada à construção civil.
Integrantes de um clube de ciências formado exclusivamente por meninas na Escola Bento de Paiva, elas desenvolveram, ao lado de outras colegas e sob orientação da professora Maria Eduarda Santos da Silva, uma biocerâmica produzida com cascas de ostras descartadas pela atividade pesqueira.
O material foi criado como alternativa ao uso do gesso em determinadas aplicações da construção, aproveitando um resíduo abundante na região.
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A ideia surgiu a partir da realidade do município, onde grande parte da população depende da pesca e da mariscagem.
O descarte inadequado das cascas de ostras acumulava resíduos em áreas públicas e representava riscos para o meio ambiente e para a população.
A equipe passou a pesquisar formas de reaproveitar esse material e desenvolveu uma biocerâmica obtida pela combinação das cascas trituradas com um aglutinante, criando um produto de baixo custo e com potencial de utilização em elementos não estruturais da construção civil.
Pesquisa ganhou reconhecimento nacional
O projeto, intitulado “Bioplacas de cascas de mariscos: uma alternativa inteligente para comunidades sustentáveis”, conquistou o primeiro lugar na categoria Ensino Fundamental da etapa nacional do 3º Desafio Liga Jovem (DLJ), promovido pelo Sebrae.
A premiação foi anunciada durante o festival LED – Luz na Educação, realizado em Belém, e garantiu à equipe uma viagem internacional para conhecer centros de inovação tecnológica.
A competição incentiva estudantes de todo o país a desenvolver soluções viáveis para problemas identificados em suas comunidades, com foco em empreendedorismo e impacto social.
Sustentabilidade e geração de oportunidades
Além de reduzir o descarte de resíduos da pesca, a pesquisa abre caminho para novas possibilidades econômicas em comunidades litorâneas.
Segundo a professora Maria Eduarda, o reaproveitamento das cascas pode contribuir para diminuir impactos ambientais e, ao mesmo tempo, criar uma fonte complementar de renda para famílias ligadas à atividade pesqueira.
A iniciativa também reforça a importância da ciência desenvolvida dentro das escolas como ferramenta para solucionar desafios locais por meio da inovação.
Embora a biocerâmica ainda faça parte de um projeto de pesquisa e desenvolvimento, a proposta demonstra o potencial do reaproveitamento de resíduos na construção sustentável.
A conquista das estudantes pernambucanas evidencia como projetos escolares podem unir conhecimento científico, preservação ambiental e empreendedorismo, estimulando jovens a desenvolver tecnologias capazes de gerar benefícios para suas comunidades e inspirar novas soluções em diferentes regiões do país.
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