Avô plantou cana apenas para segurar a terra mudou o destino da família: 80 anos depois, ela virou uma cachaça premiada que salvou a nova geração
História iniciada nos anos 1940 atravessou três gerações e deu origem a uma agroindústria artesanal no interior de Santa Catarina

Uma decisão tomada para proteger o solo de uma propriedade rural acabou se transformando no futuro de uma família inteira. Em Ipuaçu, no Oeste de Santa Catarina, mudas de cana-de-açúcar plantadas há mais de 80 anos deram origem à cachaça premium Terno de Mula.
Atualmente, a bebida é o principal símbolo da Casa Debiasi, agroindústria familiar que também produz vinhos, licores, geleias e açúcar mascavo. O negócio mantém características artesanais, mesmo após passar por um processo de profissionalização.
Cana foi plantada para proteger a terra
A história começou na década de 1940, quando o agricultor Ivo Debiasi chegou à região durante o período de colonização do Oeste catarinense.
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Ele trouxe de São Paulo as primeiras mudas de cana. Entretanto, a intenção inicial não era fabricar bebidas, mas conter a erosão nas áreas de relevo acidentado da propriedade.
As raízes da planta ajudaram a manter o solo mais protegido. Sem imaginar o resultado que surgiria décadas depois, o agricultor iniciou uma tradição que atravessaria gerações.
Produção artesanal começou após morte do agricultor
A cana permaneceu na propriedade até ganhar uma nova finalidade. Depois da morte de Ivo, em 1983, o filho dele, José Hilton Debiasi, decidiu iniciar a produção artesanal de cachaça.
O conhecimento utilizado no alambique havia sido aprendido dentro da própria família. A fabricação envolvia cuidados com a matéria-prima, a fermentação, a destilação e o armazenamento da bebida.
A produção cresceu aos poucos, impulsionada pela confiança de consumidores da região. Mais do que uma bebida, cada garrafa passou a representar parte da história construída pela família na agricultura.

(Imagem: Captura de tela/YouTube/Clariane Roll)
Nome da cachaça homenageia o avô
A cachaça recebeu o nome de Terno de Mula em referência aos animais utilizados por Ivo no transporte de madeira durante a colonização da região.
Na época, o agricultor levava cargas até a balsa do Rio Uruguai com o auxílio de um conjunto de mulas. Décadas depois, essa memória se tornou parte da identidade do produto.
Nova geração evitou o fim da produção
A continuidade do negócio ficou ameaçada com o passar dos anos. Em 2018, André Debiasi e a esposa, Clariane, decidiram assumir a atividade e preservar o conhecimento acumulado pela família.
O casal passou a enxergar a produção como um empreendimento com potencial de crescimento. Ao mesmo tempo, decidiu manter a essência artesanal desenvolvida pelas gerações anteriores.
Para ampliar a atividade, a família construiu uma nova fábrica, adequou os espaços e buscou assistência técnica. A agroindústria também foi regularizada junto ao Ministério da Agricultura.
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