A psicologia afirma que pessoas que limpam a casa antes da chegada da diarista têm estas características predominantes
Comportamento pode misturar cuidado prático, receio de julgamento e tentativa de preservar uma imagem de controle diante de outra pessoa

A diarista está a caminho, mas, antes que ela chegue, roupas são recolhidas, louças desaparecem da pia e até algumas superfícies recebem uma limpeza rápida.
Embora pareça contraditório, o comportamento é comum e pode ter diferentes explicações. Em alguns casos, trata-se apenas de organizar o ambiente para facilitar o serviço. Em outros, porém, a preparação pode revelar vergonha da bagunça e medo de parecer desleixado.
Não existe um estudo específico que permita afirmar que todas as pessoas que limpam antes da diarista agem pela mesma razão. Ainda assim, conceitos da psicologia social ajudam a compreender o hábito.
Casa também pode representar a identidade
O pesquisador Russell Belk, em estudo publicado no Journal of Consumer Research, explica que objetos e posses podem funcionar como extensões da identidade.
Dessa forma, o morador pode interpretar o estado da casa como um reflexo de sua personalidade, rotina e capacidade de organização.
Quando outra pessoa entra nesse espaço, surge a preocupação com a impressão que ela terá.
Esse comportamento recebe o nome de gerenciamento de impressão e reúne atitudes usadas, de maneira consciente ou não, para influenciar a forma como os outros nos enxergam.
Assim, esconder a bagunça pode funcionar como uma tentativa de comunicar que a desorganização é momentânea e não representa quem mora ali.
Quando o hábito vai além da praticidade
Recolher objetos, liberar bancadas e indicar quais áreas precisam de atenção pode tornar o trabalho mais eficiente. Isso é diferente de limpar tudo antecipadamente apenas para impedir que a profissional veja sinais da rotina.
O receio pode aparecer em pedidos repetidos de desculpas, vergonha intensa, ansiedade antes da chegada da diarista ou necessidade de esconder objetos comuns.
Uma pesquisa da psicologia com famílias relacionou a percepção da casa como desorganizada ou inacabada a alterações de humor e padrões de cortisol entre as mulheres estudadas.
O resultado não prova que a bagunça seja a causa direta do estresse, mas indica que a maneira como o ambiente doméstico é percebido pode se relacionar ao bem-estar.
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