Bolsonaro pede a Moraes para receber visitas de Flávio, Carlos e Jair Renan no Dia dos Pais

Defesa do ex-presidente solicitou autorização ao Supremo para um encontro familiar no próximo domingo, alegando caráter humanitário da visita

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Bolsonaro pede a Moraes para receber visitas de Flávio, Carlos e Jair Renan no Dia dos Pais
Advogados alegam que o encontro não compromete as medidas cautelares e tem como objetivo preservar a convivência entre pai e filhos. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

ISADORA ALBERNAZ – BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A defesa de Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta quarta-feira (5) para que o ex-presidente possa receber na prisão domiciliar os filhos Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado, e o vereador Jair Renan (PL) na tarde do Dia dos Pais, no domingo (9).

Caberá ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes decidir se autoriza ou não.

Os advogados argumentam que a solicitação tem “caráter estritamente humanitário e familiar” e não atrapalha o cumprimento da pena de Bolsonaro ou as medidas cautelares impostas pelo magistrado.

“Trata-se de data singular do calendário brasileiro, cuja celebração, ainda que por breve período e nas condições que Vossa Excelência [Moraes] entender cabíveis, permite preservar os vínculos familiares e importante dimensão da convivência entre pai e filhos”, escreveram, na petição.

Filho 03, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) não foi incluído no pedido porque está nos Estados Unidos desde o ano passado. Ele foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por sua articulação no país para intimidar o Judiciário brasileiro e impedir a análise da trama golpista.

Por ordem de Moraes, Bolsonaro está probido de receber visitas de familiares desde o mês passado, quando foi decidido que ele continuaria cumprindo em casa a pena por tentativa de golpe de Estado. Ele vive num condomínio no Jardim Botânico, região nobre de Brasília, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha Laura e a enteada, Letícia.

Na decisão que manteve a prisão domiciliar, em 17 de julho, o ministro do Supremo decidiu que apenas advogados, médicos e fisioterapeutas podem ir à casa do ex-presidente por 30 dias.

No caso de Flávio, ele está impedido de se encontrar com o pai por 90 dias -período que vai até depois do primeiro turno das eleições.

Moraes aplicou a restrição porque considerou que houve descumprimento da medida cautelar que veta Bolsonaro de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, ao divulgar uma carta. No documento, Bolsonaro afirmou que o filho é seu “porta-voz” e o candidato escolhido para representá-lo politicamente.

Em março, o presidenciável do PL foi inscrito como advogado do ex-presidente no processo da trama golpista para ter livre acesso a Bolsonaro, que, na época, estava preso na unidade conhecida como Papudinha, na capital federal. A medida foi tomada para que as movimentações políticas junto ao pai pudessem continuar.

Flávio e aliados criticam o veto às visitas e afirmam que Moraes tenta interferir na eleição de 2026. A medida impacta a pré-campanha do senador. O prazo se encerrará em 11 de outubro, o que pode dificultar a articulação de decisões de sua pré-candidatura e de palanques do bolsonarismo.

A defesa de Jair Bolsonaro já recorreu contra a decisão do ministro do STF, em 24 de julho. Afirmou que a restrição ultrapassa a condenação de suspensão de direitos políticos e restringe a liberdade de pensamento do ex-presidente.

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