A psicologia afirma: nunca ajude uma criança a fazer algo que ela consegue fazer sozinha, isso pode prejudicar o desenvolvimento de habilidades importantes para a vida
Ideia atribuída à educadora italiana ajuda a entender por que permitir que a criança tente sozinha pode favorecer autonomia e aprendizagem

Uma criança demora para fechar o zíper, guardar um brinquedo ou amarrar o próprio calçado. Para um adulto com pressa, terminar a tarefa parece a solução mais simples.
Na visão educacional associada a Maria Montessori, porém, alguns desses momentos podem representar oportunidades importantes de aprendizagem.
A frase “Nunca ajude uma criança em uma tarefa na qual ela sinta que pode ter sucesso” é amplamente atribuída à médica e educadora italiana. No entanto, não foi possível confirmar essa formulação exata entre as citações documentadas pela Association Montessori Internationale.
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A ideia, entretanto, é compatível com princípios presentes em sua obra, que valorizam atividade independente, ambiente preparado e participação ativa da criança.
Montessori abriu a primeira Casa dei Bambini, em Roma, em 6 de janeiro de 1907. Ali, desenvolveu uma abordagem na qual o adulto observa e orienta, enquanto a criança encontra oportunidades para realizar atividades por conta própria.
Isso não significa deixar a criança desamparada. Situações que envolvem risco ou tarefas incompatíveis com a idade exigem intervenção. A proposta é evitar fazer automaticamente aquilo que ela já consegue tentar com segurança.
Pesquisas posteriores também encontraram resultados positivos associados à educação Montessori. Um estudo publicado na revista Science, em 2006, observou vantagens em algumas habilidades acadêmicas e sociais entre crianças de uma escola Montessori comparadas a alunos que não conseguiram vaga por sorteio.
Uma revisão mais ampla publicada em 2023 analisou 32 estudos e encontrou benefícios em diferentes resultados acadêmicos e não acadêmicos, embora os efeitos variem conforme metodologia e contexto.
Assim, a mensagem por trás da conhecida frase não é simplesmente “não ajudar”. É reconhecer quando a criança dispõe de condições para experimentar, errar, repetir e finalmente perceber que conseguiu realizar algo por conta própria.
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