Aos 16 anos, Júlia disputou com cerca de 5 mil jovens de 23 países, venceu a seleção com um projeto sobre tecnologia nuclear e deixou a sala de aula para cruzar o Oceano Ártico rumo ao Polo Norte a bordo de um quebra-gelo movido à energia nuclear
A viagem aproxima jovens pesquisadores de tecnologias capazes de transformar diferentes setores

Aos 16 anos, Júlia Passarini foi escolhida para representar o Brasil na sétima edição do Quebra-Gelo do Conhecimento, projeto científico e educacional realizado com apoio da estatal russa Rosatom. A seleção internacional reuniu quase 5 mil estudantes de 14 a 16 anos.
A organização confirma Júlia entre os vencedores de uma disputa que envolveu jovens de 23 países e etapas sobre ciência, física, tecnologias nucleares e o Ártico. O prêmio é uma expedição ao Polo Norte a bordo do quebra-gelo nuclear 50 Let Pobedy, conhecido como “50 Anos da Vitória”.
A vaga brasileira veio na etapa final, que exigia a produção de um trabalho criativo sobre como as tecnologias nucleares estão transformando o mundo. Júlia apresentou um projeto sobre diferentes aplicações da tecnologia nuclear, tema que ampliou seu interesse pela área de exatas.
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Segundo a Associação Brasileira de Energia Nuclear, a estudante afirmou que o processo seletivo aumentou sua vontade de conhecer o setor e até considerar uma carreira ligada às tecnologias nucleares.
A programação da expedição inclui palestras, atividades práticas, experimentos e contato com especialistas.

(Imagem: Reprodução)
Da matemática ao Ártico
Antes da experiência internacional, Júlia já tinha resultados expressivos em competições acadêmicas. O resultado oficial da Olimpíada Brasileira de Matemática de 2024 registra medalha de bronze para Júlia de Oliveira Bernardo Passarini.
No ano seguinte, ela integrou a equipe brasileira da 5ª Olimpíada Pan-Americana de Matemática para Meninas, realizada em Fortaleza, e conquistou medalha de prata, segundo a organização da OBM. A trajetória ajuda a explicar a seleção para um programa que exige raciocínio, conhecimento científico e capacidade de apresentar soluções.
Uma sala de aula sobre o gelo
A expedição transforma o próprio navio em ambiente de aprendizado. A bordo do 50 Let Pobedy, os participantes acompanham atividades relacionadas à ciência, engenharia, energia, ecologia, novos materiais e pesquisas realizadas no Ártico.
O navio pertence à frota de quebra-gelos nucleares da Rússia e foi escolhido para levar os estudantes até o Polo Norte. A edição de 2026 reúne os vencedores internacionais em uma experiência que combina convivência entre jovens de diferentes países e contato direto com tecnologias que normalmente ficam distantes da rotina escolar.
Para Júlia, o percurso representa uma mudança temporária da sala de aula para um dos ambientes mais extremos do planeta.
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