Mulher que sofreu parada durante treino em Anápolis relatava angústia e pedia ajuda a Deus em cartas: “ter coragem de encarar a vida”
Jenekely Morais Santos enfrentava cenário delicado de ameaças e conflitos familiares antes de sofrer AVC fatal

O caso de Jenekely Morais Santos, mulher que morreu aos 42 anos depois de sofrer uma parada enquanto treinava em uma academia no bairro Jundiaí, em Anápolis, ganhou novos detalhes.
Depois de documentos obtidos pelo Portal 6 mostrarem que ela enfrentava uma sequência de situações delicadas envolvendo a vida familiar, tornaram-se públicas algumas cartas escritas por Jenekely.
Tratavam-se de orações e desabafos em que ela revelava estar se sentindo angustiada, pedindo a Deus que lhe mostrasse qual caminho seguir.
As páginas foram divulgadas pelo portal Repórter Anápolis. Em alguns trechos, Jenekely mencionava problemas financeiros e familiares, e listava pessoas que tinha perdoado.
Ela citava versículos bíblicos e escrevia: “Jesus, tira do meu coração toda mágoa, todo rancor, todo ódio, todo sentimento ruim que me entristece, me machuca e me faz mal”.
“Me conceda a sabedoria que tanto preciso, pra ter coragem de encarar a vida”, pedia.
Mulher sofreu AVC
Outros frequentadores da academia notaram que ela estava passando mal, suspeitando se tratar de uma crise convulsiva, e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pouco antes das 21h30.
As equipes prestaram os primeiros socorros e a levaram ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana).
Na unidade de saúde, exames de imagem identificaram que Jenekely tinha uma hemorragia subaracnoide difusa, um tipo de sangramento que acontece na região que envolve o cérebro.
A condição é entendida como um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Depois disso, a paciente apresentou novas intercorrências e não resistiu, tendo o óbito confirmado na manhã de terça-feira (11).
Cenário de conflitos
Na denúncia, contava que tinha a guarda unilateral dos três filhos e que, em certo fim de semana, o pai tinha buscado as crianças.
No momento de levá-las de volta, teria ido apenas com as duas filhas. O filho, então com 13 anos, teria ficado com o pai sem a autorização da mãe.
As denúncias também mencionavam a atual companheira do ex-marido, que teria dito que “passaria o carro por cima dela” caso a encontrasse.
Em maio, Jenekely relatava ter recebido flores no local de trabalho. Junto com o presente, um cartão escrito à mão dizia: “Feliz Dia das Mães, para uma mãe maravilhosa, que o filho prefere morar com a madrasta”.
Vale destacar que não há elementos que permitam relacionar esses conflitos ao problema de saúde que causou a morte.
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