Geração Z mal consegue pagar aluguel hoje, mas pode se tornar a geração mais rica da história, segundo estudo

A situação vivida hoje por milhões de jovens parece incompatível com o tamanho do poder econômico que eles podem concentrar no futuro

Cristiano Roonowa Cristiano Roonowa -
Geração Z
(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

ara boa parte da Geração Z, alcançar a independência financeira ainda parece uma meta distante. Aluguel caro, despesas do dia a dia e dificuldades no início da carreira fazem com que muitos jovens precisem escolher cuidadosamente onde gastar cada parcela do salário.

Curiosamente, esse cenário pode esconder uma transformação econômica gigantesca.

Projeções do Bank of America indicam que a mesma geração pressionada pelo custo de vida deve ganhar um peso financeiro sem precedentes nas próximas décadas. A renda global desse grupo, estimada em US$ 9 trilhões em 2023, pode alcançar US$ 36 trilhões por volta de 2030 e chegar a US$ 74 trilhões aproximadamente em 2040.

Presente ainda é marcado pelo aperto

O futuro projetado contrasta bastante com a situação encontrada hoje.

Uma pesquisa do próprio Bank of America divulgada em maio de 2026 mostrou que 42% dos integrantes adultos da Geração Z entrevistados nos Estados Unidos vivem de salário em salário.

Quase metade, 49%, apontou o custo de vida como um dos principais obstáculos para alcançar estabilidade financeira. Moradia e aluguel aparecem entre as maiores dificuldades para aproximadamente 30% dos participantes.

O levantamento ouviu 1.133 adultos da Geração Z, entre 18 e 29 anos, dentro de uma amostra superior a 2 mil entrevistados.

A pressão sobre o orçamento ajuda inclusive a explicar práticas como o “loud budgeting”, adotado por jovens que passaram a falar abertamente quando determinado programa não cabe no bolso.

De onde pode vir tanta riqueza?

Parte da mudança está relacionada ao crescimento da renda conforme essa população avança profissionalmente. Há, porém, outro fenômeno importante acontecendo ao mesmo tempo.

Nas próximas décadas, uma enorme quantidade de patrimônio acumulado por gerações mais velhas deve passar para filhos e netos por meio de heranças.

O Bank of America estima que mais de US$ 84 trilhões em ativos poderão ser transferidos para gerações mais jovens até 2045, sendo cerca de US$ 53 trilhões provenientes de famílias de baby boomers.

O cenário é tão significativo que o relatório The Wealth Report, da consultoria Knight Frank, afirma que a Geração Z tende a se tornar a geração mais rica e influente já vista, embora baby boomers, Geração X e millennials ainda devam concentrar grande força econômica pelas próximas duas décadas.

Isso, porém, não significa que todos os jovens ficarão ricos. Os números representam a geração como um conjunto e a distribuição desse patrimônio continuará desigual.

Por enquanto, o paradoxo permanece: quem hoje enfrenta dificuldade para bancar as despesas básicas pode pertencer à geração que movimentará uma quantidade de dinheiro nunca vista antes.

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Cristiano Roonowa

Cristiano Roonowa

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). É estagiário no Portal 6 desde agosto de 2026.

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