Grupo compra quase todas as 25,8 milhões de combinações de loteria, gasta R$ 135 milhões e, após o sorteio, recebe quase R$ 300 milhões com bilhete vencedor
Uma estratégia silenciosa acabou provocando consequências maiores do que o resultado inicial

06Um grupo de apostadores transformou uma loteria do Texas em uma operação matemática de grande escala e movimentou cerca de R$ 135 milhões.
A estratégia foi montada para cobrir praticamente todas as combinações possíveis do Lotto Texas, reduzindo drasticamente o risco de perder o prêmio principal.
O sorteio ocorreu em 22 de abril de 2023, quando o acumulado anunciado alcançava US$ 95 milhões, segundo registros e reportagens sobre o caso. A empresa Rook TX teria desembolsado aproximadamente US$ 26 milhões para adquirir quase todas as 25.827.165 combinações disponíveis naquela edição.
- Lucio, sobre morar na Tailândia: “Viver em uma casa a 2 quadras da praia e alugar uma moto custa R$ 1,1 mil por mês”
- As melhores carnes de segunda para churrasco que ficam macias e custam bem menos
- Homem de 57 anos sai para pescar por menos de uma hora antes do trabalho, o motor do barco apaga e ele passa 26 dias à deriva no Pacífico até ser encontrado por um navio
Considerando US$ 1 equivalente a R$ 5,1813, o investimento chega a aproximadamente R$ 134,7 milhões, enquanto o prêmio imediato alcança quase R$ 300 milhões.
O valor de US$ 57,8 milhões foi pago na modalidade à vista, antes dos impostos, conforme registros divulgados sobre a premiação.
Assim, apenas comparando investimento e pagamento bruto, a diferença alcançaria aproximadamente R$ 164,8 milhões, sem considerar tributos e despesas adicionais.
A operação chamou atenção porque não dependia de descobrir previamente os números sorteados, mas de comprar praticamente todas as possibilidades existentes.
Mais de 25 milhões de bilhetes foram processados em quatro estabelecimentos durante vários dias, exigindo estrutura especial para acelerar a emissão.
A investigação posterior apontou que os pontos receberam equipamentos adicionais e grandes quantidades de papel para suportar o volume extraordinário de apostas.
A compra foi organizada internacionalmente e teria recebido financiamento de uma empresa de apostas sediada em Londres, segundo reportagens investigativas.
A matemática por trás da operação
Em uma modalidade com quantidade limitada de combinações, adquirir quase todas as opções cria uma vantagem matemática excepcional para alcançar o prêmio.
O grupo, porém, precisava evitar combinações duplicadas e garantir que a sequência completa fosse registrada corretamente antes do encerramento das apostas.
A investigação também colocou sob atenção os chamados couriers, empresas que recebiam pedidos digitais e providenciavam bilhetes físicos para clientes.
Essas empresas atuavam no Texas desde aproximadamente 2015 e movimentaram cerca de US$ 173 milhões em vendas de concursos durante 2023. O modelo permitia solicitar apostas por sites ou aplicativos, enquanto os bilhetes eram comprados fisicamente por representantes em estabelecimentos licenciados.
O sistema passou a ser questionado porque parlamentares entendiam que a prática poderia funcionar como uma forma indireta de venda digital.
Regras mudaram após a repercussão
A operação inicialmente foi defendida pela comissão responsável pela loteria, que afirmou não ter identificado ilegalidade específica naquele sorteio.
Posteriormente, surgiram questionamentos sobre equipamentos, códigos QR e procedimentos usados para acelerar a emissão dos milhões de comprovantes.
A repercussão aumentou a pressão sobre a Texas Lottery Commission, especialmente diante das dúvidas envolvendo fiscalização e empresas privadas.
Em junho de 2025, o governador Greg Abbott sancionou a Senate Bill 3070, que extinguiu a comissão e transferiu suas funções para órgãos reguladores estaduais. A nova legislação também estabeleceu limites para compras individuais e proibiu operações envolvendo intermediários digitais, criando novas regras para impedir estratégias semelhantes.
Caso chegou aos tribunais
Em 2026, a história ganhou outro capítulo com a investigação criminal envolvendo Gary Grief, antigo diretor executivo da comissão.
Ele foi denunciado por suposto abuso de função pública relacionado ao sorteio de 2023, acusação classificada como crime de primeiro grau no Texas.
A primeira denúncia foi retirada em abril, mas um novo grande júri apresentou outra acusação em maio, mantendo o caso em andamento. Grief nega irregularidades, e sua defesa afirma que o processo possui motivação política. Até agora, não existe condenação definitiva contra ele.
Em agosto de 2026, o caso continuava avançando na Justiça, enquanto a antiga comissão já não existia oficialmente.
O episódio deixou como principal consequência uma discussão sobre matemática, tecnologia, fiscalização e limites para grandes operações dentro das loterias estaduais.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!







