Justiça decreta falência de grupo de supermercados com dívida declarada de R$ 518,9 milhões
Conglomerado ligado às redes Ricoy e Vencedor Atacadista teve plano rejeitado pelos credores e chegou a operar 96 lojas em mais de 70 cidades

A Justiça decretou a falência do Grupo Ricoy, conglomerado ligado às redes Ricoy e Vencedor Atacadista e formado por dezenas de empresas do setor atacadista.
A decisão converteu em falência o processo de recuperação judicial depois que os credores rejeitaram o plano apresentado pelo grupo. Nos autos, as empresas declararam R$ 518,9 milhões em dívidas com 5.027 credores.
No auge da operação, o conglomerado chegou a manter 96 lojas em mais de 70 municípios, além de empregar mais de 5 mil pessoas.
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Credores rejeitaram plano de recuperação
A sentença foi proferida pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.
Antes da decretação da falência, os credores analisaram o plano de recuperação durante uma assembleia realizada em julho.
A proposta acabou rejeitada.
Depois disso, uma alternativa também foi apresentada, mas não conseguiu atingir o quórum necessário para ser colocada em votação.
Com isso, a Justiça decidiu encerrar a tentativa de recuperação e determinar a falência do grupo.
Redes Ricoy e Vencedor estão entre as atingidas
A decisão alcança empresas ligadas às bandeiras Ricoy e Vencedor Atacadista, além de distribuidoras e holdings vinculadas ao conglomerado.
Durante a recuperação judicial, relatórios da administração apontaram o fechamento repentino de pelo menos 19 unidades.
Além disso, foram relatadas dificuldades para obter documentos financeiros considerados essenciais para acompanhar a situação das empresas.

(Imagem: Divulgação)
Processo aponta possíveis irregularidades
Documentos do processo também registram suspeitas relacionadas à administração do grupo.
Entre os pontos citados estão o direcionamento de valores recebidos por máquinas de cartão para outras empresas e denúncias de suposta alienação irregular de equipamentos e mercadorias.
Segundo os relatos apresentados à Justiça, essas operações poderiam dificultar a localização de patrimônio destinado ao pagamento dos credores.
As suspeitas, porém, integram o processo e dependem da apuração correspondente.
Grupo atribuiu crise à concorrência e aos juros
Na recuperação judicial, o Grupo Ricoy apontou diferentes fatores para explicar o agravamento da situação financeira.
Entre eles estavam a concorrência crescente dos atacarejos, incertezas fiscais depois da incorporação de outro grupo e a alta da taxa Selic.
Com juros mais elevados, o crédito ficou mais caro e aumentou a pressão sobre as contas das empresas.
Mudança de controle não reverteu situação
Em março de 2026, os fundadores venderam as ações do conglomerado ao empresário Cícero Santos Guedes.
Segundo o processo, o novo controlador teria se comprometido a colocar R$ 50 milhões no caixa das empresas.
No entanto, os documentos citados na ação apontam que o valor não teria sido depositado.
Depois da mudança de gestão, também houve novas dificuldades na apresentação de informações financeiras à Justiça.
O que acontece após a falência
Com a decisão, a Justiça determinou medidas para identificar e preservar os bens das empresas.
Entre elas estão a arrecadação do patrimônio, o bloqueio de contas e investimentos e a identificação de ativos que possam ser utilizados no processo de pagamento dos credores.
Os registros oficiais das companhias também passam a indicar a condição de falidas.
Atenção ao valor da dívida
O conteúdo enviado não sustenta uma dívida superior a R$ 700 milhões. A informação objetiva presente na fonte é de R$ 518,9 milhões em débitos declarados.
Por isso, para evitar inconsistência factual, eu não manteria “ultrapassa os R$ 700 milhões” no título sem outra fonte que comprove esse valor.
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