Espuma misteriosa aparece em trecho do Rio das Antas e levanta preocupação sobre qualidade da água em Anápolis

Imagens mostram grande concentração de espuma em trecho próximo à GO-560, na região de Joanápolis

Lara Duarte Lara Duarte -
Espuma foi registrada em trecho do Rio das Antas próximo à GO-560, na região de Joanápolis, em Anápolis. (Foto: Reprodução/Portal 6)
Espuma foi registrada em trecho do Rio das Antas próximo à GO-560, na região de Joanápolis, em Anápolis. (Foto: Reprodução/Portal 6)

Imagens enviadas ao Portal 6 nesta quarta-feira (16) chamaram atenção para uma grande quantidade de espuma em um trecho do Rio das Antas que corta a região da GO-560, nas proximidades de Joanápolis, distrito de Anápolis.

O registro foi feito em uma área de pouca visão e levantou preocupação pelo aspecto da água. A partir das imagens, a reportagem buscou entender o que pode estar provocando a formação da espuma e se há alguma alteração na qualidade do rio.

O ambientalista Antônio Barbosa El Zayek, ouvido pelo Portal 6, afirmou que seria necessário verificar tecnicamente a origem da espuma antes de apontar uma causa.

Segundo ele, uma das possibilidades seria analisar se a água já chega dessa forma a uma estação de tratamento ou se a espuma surge depois.

“Para afirmar o que está acontecendo, a gente teria que saber direito a origem. Se está saindo assim da ETE ou se vem mais acima”, explicou.

El Zayek também citou que materiais orgânicos podem provocar grande formação de espuma, mas reforçou que qualquer conclusão depende de análise técnica.

Ambientalista alerta para poluição do rio

Para a reportagem, El Zayek também salientou que o Rio das Antas enfrenta há anos problemas relacionados à poluição.

Segundo ele, o manancial estaria atualmente em nível 4 de poluição, considerado o grau máximo, embora a classificação oficial ainda esteja em nível 3.

O ambientalista afirmou que existe uma cobrança para que a situação seja revertida e o rio volte ao nível 2. Ele atribui parte da responsabilidade a empresa Ambev, que possui uma unidade de produção no município.

Caso isso não aconteça, segundo ele, a companhia ficaria impossibilitada de utilizar a água do Rio das Antas em suas operações.

El Zayek disse ainda que a empresa teria buscado alternativas de abastecimento, como poços artesianos, mas não teria encontrado uma solução suficiente.

“Essa briga já tem muitos anos e ninguém faz nada para recuperar o rio”, criticou.

Na avaliação dele, se a qualidade da água não melhorar e a empresa não puder continuar utilizando o manancial, a situação poderia até comprometer a permanência da unidade em Anápolis.

Sem mudanças

A possível relação entre a qualidade da água do Rio das Antas e as operações da Ambev em Anápolis não é uma preocupação recente.

Em 2023, o Portal 6 já mostrou que a condição do manancial poderia trazer impactos para a fábrica instalada no município. Na época, trechos do rio apresentavam classificação considerada ruim.

Fontes ligadas à operação da Ambev afirmaram que a empresa não tem intenção de deixar Anápolis. Segundo elas, a unidade passou a contar também com poços próprios para abastecimento e mantém controle da qualidade da água utilizada.

Informações obtidas extraoficialmente durante a apuração confirmam a implantação dos poços na empresa e indicam que a espuma pode estar relacionada à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Anápolis.

A principal hipótese levantada é de que a formação seja provocada pela presença de matéria orgânica resultante do processo de tratamento de esgoto, que, ao entrar em contato com a correnteza e o oxigênio, pode gerar espuma.

Ainda segundo essas informações, o fenômeno tende a ficar mais visível em períodos de nível baixo do Rio das Antas, quando há menos água para diluir esse material.

Outro ponto divergente envolve a classificação do manancial. A informação repassada à reportagem é de que o Rio das Antas está atualmente no nível 4 e tem como meta futura chegar ao nível 3, e não que estaria oficialmente no nível 3 com objetivo de alcançar o nível 2.

Saneago diz que fenômeno pode ter diferentes causas

Procurada pelo Portal 6, a Saneago informou que a espuma registrada aparece em um trecho afastado do ponto de lançamento do efluente tratado da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Anápolis.

Segundo a companhia, a combinação entre queda d’água, forte movimentação da correnteza e baixa vazão do rio pode favorecer a formação da espuma.

A empresa também citou que o fenômeno pode estar relacionado à presença de compostos encontrados em detergentes, sabões e produtos de limpeza.

A Saneago afirmou ainda que a ETE opera dentro da legislação ambiental e que aplica antiespumante de forma contínua na saída das lagoas de tratamento.

Confira a nota na íntegra:

“A Saneago informa que a formação de espuma observada ocorre especificamente em um trecho afastado do ponto de lançamento do efluente tratado da Estação de Tratamento de Esgoto Anápolis. Trata-se de um local caracterizado por queda d’água e intenso turbilhonamento, condições que, associadas à baixa vazão do rio no período, favorecem a formação de espuma.

Esse fenômeno possui natureza multifatorial e pode estar relacionado, entre outros fatores, à presença de compostos encontrados em detergentes, sabões e produtos de limpeza, os quais reduzem a tensão superficial da água e facilitam a mistura entre o ar e a água.

Vale ressaltar ainda que a Estação de Tratamento de Esgoto de Anápolis opera em conformidade com a legislação ambiental vigente. Além disso, a Companhia realiza, de forma contínua, a aplicação de antiespumante na saída das lagoas da ETE, próxima ao Córrego das Antas — última etapa do processo de tratamento executado pela unidade.”

Semad e Prefeitura foram procuradas

A Prefeitura de Anápolis e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) também foram procuradas pela reportagem.

Em nota, a administração municipal informou que, até o momento, não havia recebido nenhuma denúncia sobre a presença de espuma no Rio das Antas. Entretanto, uma equipe seria encaminhada ao local ainda nesta quinta-feira (17) para verificar a situação.

A Semad ainda não havia enviado posicionamento oficial até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestação da pasta.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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