Como você gostaria de envelhecer?

Uma história vivida de perto desperta uma reflexão pessoal sobre abandono, presença e o papel de cada um diante da velhice

Andreia Rezende Andreia Rezende -
Visita à dona Terezinha despertou reflexão sobre a importância da presença, do afeto e do cuidado com a pessoa idosa. (Foto: Júlio Almeida)
Visita à dona Terezinha despertou reflexão sobre a importância da presença, do afeto e do cuidado com a pessoa idosa. (Foto: Júlio Almeida)

Quando você pensa nos últimos anos da sua vida, como imagina que gostaria de vivê-los? Cercado pelos filhos, netos e amigos? Com alguém para compartilhar as lembranças de uma vida inteira? Com a tranquilidade de saber que, depois de tantos anos dedicados à família, ao trabalho e às pessoas que ama, chegou a sua vez de receber cuidado?

Talvez você imagine uma casa cheia aos domingos, uma visita inesperada durante a semana ou simplesmente alguém que pergunte como foi o seu dia. São coisas aparentemente pequenas, mas que, com o passar dos anos, podem se tornar as mais importantes da vida.

Recentemente, conheci de perto uma história que me fez refletir profundamente sobre tudo isso.

Dona Terezinha é uma mulher que criou dez filhos. Dez vidas que ajudou a formar, dez histórias que acompanharam a sua própria trajetória. Hoje, ela mora sozinha e os filhos não tem contato com ela. Há pouco tempo, sofreu uma queda e precisou contar com a ajuda de uma vizinha.

Quando soube que ela estava precisando de uma visita, fui até sua casa. Queria conversar, ouvir suas histórias e oferecer um pouco de companhia. E, no meio daquela conversa, fui surpreendida por uma lembrança que atravessou gerações.

Dona Terezinha me contou que, muitos anos atrás, meu pai, Amilton Batista de Faria, havia ajudado em seu divórcio. Ela se lembrava dele com carinho: “Um vereador, Amilton!”. Meu pai já conhecia sua história, e aquele vínculo, de alguma maneira, permanece vivo até hoje.

Saí daquela visita com o coração apertado, mas também com a certeza de que precisamos falar mais sobre a velhice e, principalmente, sobre a responsabilidade que temos com aqueles que envelhecem ao nosso redor.

Porque existe uma pergunta que todos nós deveríamos fazer: se desejamos envelhecer cercados de amor e cuidado, o que estamos fazendo hoje para que os idosos da nossa família tenham essa mesma oportunidade?

Envelhecer não deveria significar tornar-se invisível, nem para família e nem para o estado, precisamos ampliar esse cuidado.

Nossos idosos carregam histórias que ajudaram a construir nossas famílias, nossos bairros e nossa cidade. São pessoas que trabalharam, enfrentaram dificuldades, criaram filhos, fizeram escolhas, cometeram erros, superaram perdas e contribuíram para que outras gerações tivessem oportunidades.

Como vereadora e presidente da Câmara Municipal de Anápolis, acredito que o poder público tem um papel fundamental nessa missão. Precisamos fortalecer as políticas de proteção à pessoa idosa, ampliar as redes de apoio, combater a violência e o abandono e garantir que situações de vulnerabilidade sejam identificadas antes que se transformem em tragédias.

A criação da Procuradoria da Pessoa Idosa na Câmara Municipal de Anápolis representa um compromisso institucional com essa causa. Mas nenhuma política pública, por mais importante que seja, substitui completamente o afeto, a presença e os vínculos humanos.

Que possamos construir uma cidade onde viver muitos anos seja uma conquista acompanhada de amor, respeito e cuidado.

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Andreia Rezende

Andreia Rezende

Advogada e vereadora. Atualmente preside a Câmara Municipal de Anápolis. Siga-a no Instagram @andreiavereadora_/

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