Direita dividida e voto útil: estrategista aponta o que pode mudar a eleição na reta final

Marcos Marinho analisou a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o impacto da crise no STF e os caminhos de Daniel Vilela, Marconi Perillo e Wilder Morais em Goiás

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Direita dividida e voto útil: estrategista aponta o que pode mudar a eleição na reta final
Marcos Marinho comentou as dificuldades de candidaturas que tentam romper a polarização nacional. (Foto: Captura de tela/Youtube/Portal 6)

A menos de duas semanas do primeiro turno, pesquisas deixam de ser apenas um retrato da eleição e passam a influenciar diretamente as decisões das campanhas e dos próprios eleitores.

Foi a partir desse cenário que o estrategista político Marcos Marinho analisou, no Portal 6 Ao Vivo desta segunda-feira (21), a corrida presidencial e a disputa pelo Governo de Goiás. Para ele, a fragmentação da direita, a possibilidade de voto útil e a capacidade de mobilização na reta final podem definir quem avança e até se haverá segundo turno.

A entrevista também passou pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e pelas possíveis repercussões eleitorais do caso relacionado ao empresário Daniel Vorcaro.

Direita dividida favorece segundo turno

Ao analisar a eleição presidencial, Marcos Marinho afirmou que a presença de vários candidatos ligados à direita dificulta uma definição já no primeiro turno.

Durante a entrevista, foram citados números de uma pesquisa Quaest que mostram Lula (PT) com 37% e Flávio Bolsonaro (PL) com 33%. Mais atrás aparecem Augusto Cury, com 6%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; e Romeu Zema, com 1%.

Na avaliação do estrategista, essa pulverização impede que os votos da direita se concentrem em uma única candidatura e reduz as chances de alguém ultrapassar a marca de 50% dos votos válidos.

Marinho também explicou que o comportamento do eleitor costuma mudar entre as duas etapas da disputa. No primeiro turno, há mais espaço para o voto por identificação ideológica ou afinidade com um candidato. Já no segundo, a escolha tende a ser mais pragmática, marcada pela rejeição e pelo chamado voto útil.

Crise no STF pode ter efeito limitado

Outro ponto da conversa foi a crise envolvendo o STF e as relações de integrantes da Corte com o empresário Daniel Vorcaro.

Apesar da repercussão do caso, Marcos Marinho não acredita que o episódio seja suficiente, por enquanto, para provocar uma mudança ampla nas intenções de voto. Segundo ele, o desgaste pode atingir diferentes grupos políticos, inclusive porque dois dos ministros citados foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para o estrategista, a campanha nacional tende a ser menos dominada pelas denúncias de corrupção e mais pela comparação entre projetos de governo e pelas expectativas dos brasileiros para os próximos anos.

Nesse cenário, Marinho avalia que Lula terá o desafio de transformar conceitos mais abstratos, como a defesa da soberania nacional, em assuntos que façam sentido na vida do eleitor. Isso passa por relacionar o discurso a emprego, renda, valor da moeda e funcionamento da economia.

Daniel lidera, e adversários correm contra o tempo

Em Goiás, a análise partiu da segunda rodada da Paraná Pesquisas/Portal 6, divulgada em 11 de setembro. No cenário estimulado, Daniel Vilela (MDB) lidera com 45,1% das intenções de voto, seguido por Marconi Perillo (PSDB), com 23,2%, e Wilder Morais (PL), com 15%.

Para Marcos Marinho, Daniel chega à reta final em uma posição confortável. A possibilidade de vitória no primeiro turno, porém, ainda depende do comparecimento às urnas e, principalmente, da capacidade dos adversários de mobilizar os eleitores nos últimos dias.

No caso de Marconi, o estrategista vê a necessidade de a campanha apresentar uma perspectiva de futuro. Na avaliação dele, relembrar os governos anteriores pode não ser suficiente para conquistar novos eleitores ou conter uma eventual aproximação de Wilder.

Já o candidato do PL aposta em uma identificação mais direta com o bolsonarismo para tentar crescer. Marinho considera possível uma movimentação de última hora entre os eleitores de direita, capaz de reduzir a distância entre Wilder e Marconi, mas ressalta que esse avanço depende de uma mobilização que ainda precisa aparecer de forma mais clara nas ruas e nas urnas.

A entrevista completa está disponível no Portal 6 Ao Vivo, programa exibido de segunda a sexta-feira, às 18h30, no canal oficial do Portal 6 no YouTube.

Confira a entrevista na íntegra: 

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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