Polícia investiga denúncia de estupro contra menina de 3 anos dentro de CMEI em Anápolis

Caso foi registrado como estupro de vulnerável, e relatos publicados nas redes sociais detalham exames, atendimentos e angústia da família

Lara Duarte Lara Duarte -
Juliana Galizi fala publicamente sobre o caso e cobra respostas das autoridades. (Foto: Reprodução/Redes sociais/Divulgação)
Juliana Galizi fala publicamente sobre o caso e cobra respostas das autoridades. (Foto: Reprodução/Redes sociais/Divulgação)

A Polícia Civil investiga uma denúncia de estupro de vulnerável envolvendo uma menina de 3 anos, aluna de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) localizado no bairro Filostro Machado, em Anápolis.

O caso teria ocorrido no dia 17 de setembro e foi registrado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A identidade da criança será preservada.

Segundo informações registradas pelas autoridades, a mãe percebeu alterações na região íntima da filha ao trocar a fralda da menina depois que ela voltou da unidade de ensino.

Ao ser questionada, a criança teria repetido que um homem a quem chamava de “vovô da escola” havia provocado os ferimentos. Conforme o relato da mãe, o suspeito seria um funcionário que atua na segurança do CMEI.

O documento afirma ainda que o suspeito trabalharia como segurança da unidade e, aparentemente, seria o único homem atuando no local.

Juliana Galizi relata exames

O caso ganhou repercussão depois que Juliana Galizi publicou um vídeo nas redes sociais relatando a situação enfrentada pela família.

Segundo Juliana, os familiares levaram a criança ao Instituto Médico-Legal (IML) para a realização de exame de corpo de delito. Ela afirmou que a menina reclamava de dor na região anal, mas não permitiu que essa área fosse examinada naquele primeiro atendimento.

Conforme Juliana, nessa primeira avaliação o exame foi realizado apenas na região vaginal. Ela afirmou que o resultado teria apontado rompimento do hímen.

Ainda segundo o relato, como o exame aconteceu no dia seguinte ao suposto fato, não teria sido encontrado material genético.

Posteriormente, a família conseguiu realizar um segundo corpo de delito, desta vez direcionado também à região anal. De acordo com Juliana, esse novo exame não constatou lesões.

Ela atribuiu a ausência de sinais ao intervalo entre os exames e afirmou que, na avaliação da família, o processo de regeneração do corpo poderia ter interferido no resultado.

Madrinha relata demora e descaso

Em outro vídeo publicado nas redes sociais de Juliana, Maria Eduarda, que se identifica como madrinha da criança, detalhou que a família teria enfrentado dificuldades depois de procurar a delegacia.

Segundo ela, os parentes foram informados inicialmente de que alguns procedimentos poderiam demorar bastante e chegaram a ouvir que teriam de esperar até 1º de dezembro.

Maria Eduarda afirmou que, após a insistência da família, o atendimento avançou e novos procedimentos passaram a ser adotados.

Foi nesse contexto, segundo ela, que os familiares pediram outro encaminhamento para realizar um segundo corpo de delito, desta vez com atenção à região anal, onde a criança reclamava de dor.

A madrinha também criticou a forma como a família teria sido tratada em alguns momentos. No IML, segundo ela, uma médica teria dito à mãe da menina que deveria “cuidar melhor dela”.

Já durante outro atendimento na delegacia, Maria Eduarda afirmou que se sentiu tratada com falta de sensibilidade.

“Eu falei que a Justiça aqui é falha. E eles falaram assim: ‘Quem é você para ir contra a Justiça?’”, contou.

Família decidiu expor o caso

Maria Eduarda afirmou que tornar a situação pública não representa uma escolha fácil para os familiares, mas uma tentativa de dar visibilidade ao caso e acelerar a investigação.

“Não é vantagem nenhuma para a gente vir aqui expor a nossa cara e ter que falar. Mas é porque isso daqui vai trazer visibilidade e acelerar isso daí”, declarou.

Ela relatou ainda o impacto emocional provocado pela espera por respostas e disse que a família permaneceu durante vários dias aguardando novos procedimentos.

Segundo Maria Eduarda, o episódio teria ocorrido em uma quinta-feira, enquanto o depoimento da criança aconteceu apenas na terça-feira seguinte.

“Vocês imaginam a agonia que foi todos estes dias”, disse.

A madrinha afirmou ainda que a família recebeu a informação de que o homem citado no caso ficaria afastado por três dias enquanto os depoimentos fossem colhidos.

Apesar disso, ela reforçou que os parentes seguem cobrando investigação e responsabilização de quem eventualmente tenha cometido o crime. “Nosso objetivo é que a Justiça seja feita”, afirmou.

Até o momento, não há no material fornecido informação sobre prisão, indiciamento ou conclusão da investigação.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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