Pedreiro ensina a proporção certa de cimento, cal e areia para levantar parede e gastar menos na obra

Errar a medida da argamassa pode fazer sobrar material, encarecer a reforma e comprometer justamente a etapa que parecia mais simples

Rebeca Ferreira Rebeca Ferreira -
Profissionais apontam a forma correta de se preparar o cimento
(Foto: Reprodução/Pexels)

Quem já fez uma reforma sabe como o orçamento pode começar a escapar por detalhes aparentemente pequenos. Um saco a mais aqui, areia desperdiçada ali e, quando chega a hora de levantar uma parede, surge outra dúvida: afinal, qual é a proporção de cimento, cal e areia para levantar parede sem gastar material desnecessariamente?

A resposta depende do tipo de alvenaria. Porém, para paredes comuns feitas com tijolos cerâmicos, existe um traço bastante conhecido entre profissionais e também utilizado como referência técnica.

TRAÇO

O engenheiro civil Pedro Rodrigues, mestre em Engenharia de Minas e especialista em projetos, chama atenção para a importância de definir corretamente o traço antes de preparar a argamassa.

Na construção, traço é o nome dado à proporção entre os materiais que formam uma mistura, funcionando como uma espécie de receita. Ao trabalhar com o traço 1:0,5:4,5, por exemplo, usa-se uma medida de cimento, meia medida de cal e quatro medidas e meia de areia. Se a referência escolhida for uma lata, basta manter essa mesma lata para medir todos os componentes.

Não existe uma única mistura válida para qualquer parede. O tipo de bloco, a finalidade da alvenaria e as características do projeto precisam ser considerados antes de definir quanto de cada material será utilizado.

A proporção 1:2:8 não aparece apenas na experiência prática. O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, o SINAPI, também possui composição de argamassa com cimento, cal e areia média úmida no traço 1:2:8 destinada, entre outros usos, ao assentamento de alvenaria de vedação.

NA PRÁTICA

Na prática profissional, o pedreiro Dedé, do canal Dedé Pedreiro no YouTube, trabalha com um saco de cimento para aproximadamente 9,5 latas de areia, podendo chegar a 10 latas em serviços comuns de alvenaria e reboco.

A água também entra na preparação, mas não há uma quantidade única indicada pelo profissional para todas as misturas. Ela deve ser acrescentada aos poucos, até que a massa ganhe liga e fique fácil de trabalhar, sem ficar seca demais nem aguada. Isso ocorre porque fatores como a umidade da própria areia interferem na quantidade necessária.

O profissional também alerta para o equilíbrio entre economia e resistência. Com menos areia, a massa tende a ficar mais forte, enquanto exagerar na quantidade para tentar aumentar o rendimento pode comprometer o resultado.

Quando a cal hidratada faz parte do traço, ela também precisa respeitar uma proporção. Na referência 1:2:8, são usadas duas medidas de cal para cada medida de cimento e oito de areia.

Além de participar da mistura, a cal melhora a plasticidade e a trabalhabilidade da argamassa e aumenta a retenção de água. O pesquisador Valdecir Angelo Quarcioni, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, explica que essa retenção ajuda no comportamento da argamassa em contato com os componentes da alvenaria.

ECONOMIA

Para quem está reformando, a principal lição é evitar fazer a massa “no olho”. Medidas diferentes de uma mistura para outra podem aumentar o consumo de cimento, deixar sobras ou alterar o desempenho da argamassa.

Assim, em uma parede comum de tijolos cerâmicos, o 1:2:8 funciona como uma referência prática importante. Em blocos de concreto ou situações específicas, porém, o traço deve seguir as características da alvenaria e as definições do projeto.

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