Aos 82 anos, inventor cria pegador para comer pequi sem sujar as mãos em Goiás

Criador de 35 patentes relembrou trajetória e apresentou invenções desenvolvidas ao longo de décadas de criatividade

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Aos 82 anos, inventor cria pegador para comer pequi sem sujar as mãos em Goiás
(Foto: Reprodução)

O desafio de comer pequi sem se preocupar com a sujeira nas mãos fez surgir uma ideia que atravessou gerações. Aos 82 anos, o inventor João da Silva Garrote apresentou uma de suas criações mais conhecidas, o “Pegador de Pequi”, durante uma palestra para estudantes em Goiás.

A invenção foi uma das várias apresentadas por Garrote durante a atividade realizada no Campus Senador Canedo do Instituto Federal de Goiás (IFG).

Ex-aluno da antiga Escola Técnica de Goiânia, instituição que deu origem ao atual IFG, e procurador federal aposentado, ele compartilhou com alunos do curso Técnico em Automação Industrial detalhes da trajetória construída com criatividade, estudo e experimetação.

Segundo o inventor, a capacidade de criar soluções surgiu ainda na infância. Ao longo da vida, ele afirma ter desenvolvido diversas invenções e possui 35 patentes registradas.

Entre elas está o pegador criado para facilitar o consumo do fruto típico do Cerrado, conhecido justamente pela dificuldade de ser saboreado sem contato direto com as mãos.

“Toda vida eu fui criativo. Desde criança eu inventava as coisas”, contou Garrote no encontro.

João Garrote

João Garrote no encontro do IFG (Reprodução/IFG)

Conhecimento adquirido na Escola Técnica de Goiânia

Apesar de destacar uma vocação natural para inventar, João Garrote atribui parte do desenvolvimento de suas habilidades à formação recebida na Escola Técnica de Goiânia, onde estudou na década de 1950.

Na época, a instituição oferecida aos alunos contato com diferentes áreas profissionais. Garrote frequentou o curso de Rádio Técnico e passou por oficinas de diversas especialidades, como mecânica, eletrotécnica, marcenaria, serralheria e tipografia.

Para ele, essa experiência ajudou a ampliar o conhecimento técnico necessário para transformar ideias em projetos concretos.

“A Escola Técnica me proporcionou o conhecimento de várias áreas e isso me deu maior noção de como fazer aquilo que eu queria fazer. Então isso fez despertar ainda mais em mim a vocação pela invenção”, relatou.

A antiga Escola Técnica de Goiânia foi criada em 1942, por meio do Decreto-Lei nº 4.127, e permaneceu com esse nome até 1965. Depois, passou a se chamar Escola Técnica Federal de Goiás (ETFG), posteriormente Centro Federal de Educação Tecnológica de Goiás (CEFET-GO), até a criação dos Institutos Federais em 2009, após a Lei nº 11.892/2008.

Incentivo à criação de novos inventores

Durante a palestra, Garrote também defendeu que a capacidade de inventar não está restrita a poucas pessoas. Para ele, qualquer indivíduo pode desenvolver ideias, desde que tenha acesso ao conhecimento e às ferramentas necessárias para colocar projetos em prática.

Como forma de incentivar novos talentos, o inventor doou equipamentos ao Campus Senador Canedo do IFG, incluindo um torno mecânico, uma furadeira de bancada, cerca de 300 micromotores, motor esmeril, serra-fita e outras ferramentas.

A intenção, segundo ele, é contribuir para que estudantes tenham melhores condições de desenvolver atividades práticas e experimentar novas soluções.

Pegador de pequi

Pegador de pequi, antes e depois de ser moldado (Foto: Reprodução/Instituto de Longevidade MAG)

Estudantes se inspiram na trajetória

A história de Garrote chamou atenção dos alunos que participaram do encontro. Danilo Ferreira, estudante do 2º ano de Automação Industrial, destacou a capacidade do inventor de transformar objetos simples em soluções úteis.

“Ele, a partir de objetos muito simples, criou soluções que simplificaram os processos”, afirmou.

Já Mariana Adriana, do 1º ano do curso, ressaltou que a palestra ajudou a desconstruir a ideia de que apenas algumas pessoas possuem criatividade.

Para ela, o encontro mostrou que a invenção também pode ser desenvolvida com prática e dedicação.

A trajetória de João Garrote também foi registrada em uma carta de agradecimento à antiga Escola Técnica. No texto, o inventor relembra a importância da formação recebida e afirma que a passagem pela instituição ajudou a moldar sua visão profissional e pessoal.

Além do pegador de pequi, Garrote reúne outras criações ao longo de décadas de trabalho, reforçando de uma história marcada pela busca por soluções para problemas do cotidiano e pela defesa do ensino técnico como caminho para formar novos profissionais e inventores.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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