Pesquisadores de universidade pública criam cadeira de rodas e próteses de baixo custo com materiais reciclados em Goiás

Projeto desenvolvido em laboratório universitário busca ampliar acesso a equipamentos de mobilidade usando soluções sustentáveis e acessíveis

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Pesquisadores de universidade pública criam cadeira de rodas e próteses de baixo custo com materiais reciclados em Goiás
(Fotos: Carlos Siqueira/Secom UFG & Divulgação/Lab.EITA)

Uma ideia que nasceu dentro de um laboratório universitário começou a transformar materiais que normalmente seriam descartados em um modelo de cadeira de rodas capaz de melhorar a autonomia de pessoas com deficiência.

Em Goiás, pesquisadores de uma universidade pública desenvolvem cadeiras de rodas, próteses e outros dispositivos de tecnologia assistiva com foco em baixo custo, reaproveitamento de materiais e adaptação às necessidades dos usuários.

O trabalho é realizado no Laboratório de Engenharia e Tecnologia Assistiva (Lab.EITA), da Universidade Federal de Goiás (UFG), espaço dedicado ao desenvolvimento de soluções para pessoas com limitações motoras e dificuldades de acesso a equipamentos convencionais.

A proposta surgiu a partir da percepção de que muitos produtos disponíveis no mercado têm valores elevados e nem sempre atendem às características individuais de cada pessoa. Com isso, a equipe passou a buscar alternativas que unissem engenharia, criatividade e impacto social.

Equipamentos desenvolvidos a partir de materiais reaproveitados

Entre as criações do laboratório estão dispositivos de mobilidade, como cadeiras de rodas adaptadas e próteses, produzidos com componentes reciclados ou reaproveitados sempre que possível.

Segundo informações divulgadas pela universidade, o objetivo não é apenas reduzir custos, mas também desenvolver equipamentos personalizados. Cada pessoa possui necessidades específicas, e pequenas adaptações podem fazer diferença no conforto, segurança e independência durante o uso.

Os pesquisadores trabalham com diferentes áreas do conhecimento, envolvendo engenharia, saúde e design, para criar soluções que possam ser aplicadas na rotina dos usuários.

Um dos exemplos do projeto envolve cadeiras de rodas infantis adaptadas para crianças que precisam de suporte específico para permanecer sentadas ou realizar atividades com mais autonomia. Os equipamentos são desenvolvidos considerando aspectos como postura, crescimento e características físicas de cada usuário.

Além disso, o laboratório também atua no desenvolvimento de próteses e órteses, dispositivos utilizados para auxiliar movimentos, corrigir funções corporais ou oferecer maior independência.

Tecnologia assistiva com foco em inclusão

A tecnologia assistiva reúne produtos, equipamentos e estratégias criados para ampliar a participação de pessoas com deficiência em atividades do cotidiano. A área envolve desde recursos simples, como adaptações para objetos domésticos, até soluções mais complexas, como equipamentos de mobilidade.

No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) estabelece direitos relacionados à acessibilidade e ao desenvolvimento de recursos que promovam autonomia e inclusão.

Dentro desse cenário, projetos universitários têm papel importante ao aproximar conhecimento científico de demandas reais da população.

De acordo com a UFG, o Lab.EITA busca justamente criar uma ponte entre pesquisa e sociedade, desenvolvendo equipamentos que possam chegar a pessoas que enfrentam dificuldades para adquirir produtos disponíveis comercialmente.

Ideia nasceu da observação de necessidades reais

O desenvolvimento dos equipamentos começou a partir do contato dos pesquisadores com usuários e profissionais que acompanham pessoas com deficiência. A equipe identificou que muitas famílias enfrentavam dificuldades para encontrar produtos adequados ou tinham limitações financeiras para adquirir equipamentos personalizados.

A partir dessas demandas, os pesquisadores passaram a testar diferentes materiais e formatos até encontrar soluções funcionais.

O processo envolve etapas como avaliação da necessidade do usuário, criação de modelos, testes de funcionamento e ajustes antes da utilização final.

Além da redução de custos, o reaproveitamento de materiais também representa uma preocupação ambiental, já que parte dos componentes utilizados poderia ser descartada.

Projeto aproxima universidade da comunidade

Para os pesquisadores envolvidos, o trabalho mostra como a universidade pública pode atuar além da produção acadêmica, contribuindo diretamente para resolver problemas enfrentados pela sociedade.

As soluções desenvolvidas pelo laboratório também servem como espaço de formação para estudantes, que participam de projetos de pesquisa e extensão voltados à aplicação prática do conhecimento.

Com iniciativas como essa, a engenharia passa a ser utilizada como ferramenta de inclusão, criando alternativas para pessoas que precisam de equipamentos adaptados e nem sempre encontram opções acessíveis no mercado.

O projeto continua em desenvolvimento, com novas pesquisas e aprimoramentos para ampliar as possibilidades de uso dos dispositivos criados dentro da universidade.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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