Nova moto elétrica chega ao Brasil, não precisa de habilitação, nem emplacamento, roda até 72 km com uma únicacarga e é opção para ir trabalhar sem ficar gastando com uber

Modelo compacto chama atenção pela autonomia e pela burocracia reduzida, mas existe um limite técnico que não pode ser ultrapassado

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Scooter elétrica autopropelida usada para deslocamentos urbanos.
(Foto: Reprodução)

Quem depende de carro por aplicativo todos os dias para ir ao trabalho sabe como pequenas corridas podem virar uma despesa significativa no fim do mês. Nesse cenário, um tipo de veículo elétrico vem ganhando espaço justamente por oferecer uma alternativa para trajetos urbanos curtos sem gasolina, CNH ou emplacamento.

Modelos vendidos no Brasil com até 72 km de autonomia por carga, motor de 1.000 W e velocidade limitada a 32 km/h entram na categoria dos equipamentos autopropelidos quando também atendem às demais dimensões previstas pelo Conselho Nacional de Trânsito.

Na prática, parecem pequenas motos ou scooters, mas legalmente não são tratadas da mesma forma que uma motocicleta convencional.

Até 72 km antes de voltar para a tomada

Entre os modelos encontrados com essa configuração estão scooters da E-OHM, como LeMans e M6.

A fabricante informa motor elétrico de 1.000 W, bateria de lítio removível, velocidade máxima de 32 km/h e autonomia de até 72 km em condições ideais.

A recarga completa leva de seis a oito horas e pode ser feita em tomada comum com o carregador próprio.

Além disso, os modelos trazem freios a disco nas duas rodas, iluminação em LED, painel digital e partida por aproximação NFC.

A bateria removível também ajuda quem mora em apartamento ou não possui tomada próxima à garagem, já que pode ser retirada para carregar em outro ambiente.

Por que não precisa de CNH nem placa

Esse é o ponto que mais chama atenção, mas também exige cuidado.

A Resolução nº 996 do Contran define como equipamento de mobilidade individual autopropelido aquele que possui motor de até 1.000 W e velocidade máxima de fabricação de 32 km/h, além de respeitar limites de largura e distância entre eixos.

Quando o veículo se enquadra nesses critérios, não há exigência de CNH, registro, licenciamento ou emplacamento.

Isso muda caso a scooter tenha potência, velocidade ou dimensões superiores aos limites legais.

Por isso, um eventual desbloqueio para andar mais rápido pode mudar completamente o enquadramento do veículo.

A conta pode fazer sentido para quem usa Uber todo dia

A comparação com transporte por aplicativo depende muito do trajeto.

Imagine alguém que percorre 10 km para ir ao trabalho e outros 10 km para voltar. Nesse cenário, seriam cerca de 20 km por dia.

Uma autonomia anunciada de 72 km permitiria, teoricamente, mais de três dias desse deslocamento antes de uma recarga completa.

Na prática, porém, autonomia varia conforme peso do condutor, subidas, velocidade, temperatura, calibragem dos pneus e estado da bateria.

Ainda assim, como a energia elétrica necessária para carregar uma bateria desse porte custa muito menos que várias corridas de aplicativo, o gasto operacional tende a ser baixo.

É justamente por isso que autopropelidos vêm atraindo estudantes, trabalhadores e pessoas que realizam pequenos deslocamentos urbanos diariamente.

Há limitações que precisam entrar na conta

Não precisar de CNH não significa que o veículo possa circular de qualquer maneira ou em qualquer lugar.

As regras de circulação dependem também da regulamentação local. Municípios podem definir por onde equipamentos autopropelidos podem trafegar e estabelecer limites específicos de velocidade.

Outro ponto é que 32 km/h é uma velocidade baixa quando comparada ao fluxo de carros e motocicletas em avenidas movimentadas.

Por isso, o tipo de trajeto pesa tanto quanto a autonomia na decisão de compra.

Também vale observar capacidade de carga, qualidade dos freios, disponibilidade de peças, garantia da bateria e existência de assistência técnica.

Não é exatamente uma “moto sem carteira”

Apesar da aparência, chamar todo veículo desse tipo simplesmente de moto elétrica pode gerar confusão.

Uma motocicleta elétrica verdadeira segue exigências próprias de registro e habilitação.

A dispensa acontece porque esses modelos são projetados para permanecer dentro das características técnicas de um autopropelido.

Esse detalhe é especialmente importante porque a fiscalização de ciclomotores ficou mais rígida depois do encerramento do prazo para regularização dos modelos que precisam de placa.

Por isso, antes da compra, não basta confiar apenas na aparência ou no anúncio de “não precisa de CNH”. É importante conferir na ficha técnica potência nominal, velocidade máxima de fabricação e dimensões do veículo.

Quando realmente permanece dentro desses limites, uma scooter elétrica com até 72 km de autonomia pode se tornar uma alternativa interessante para quem faz trajetos curtos diariamente e quer reduzir a dependência de Uber, gasolina e transporte convencional.

 

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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