Anvisa proíbe venda de suplemento conhecido e manda retirar todos os produtos desta marca das prateleiras dos supermercados e farmácias

Medida alcança um suplemento que ganhou espaço entre consumidores interessados em desempenho e saúde muscular

Rebeca Ferreira Rebeca Ferreira -
Joédson Alves/Agência Brasil
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Um suplemento que vinha chamando atenção de quem busca ganho de massa muscular e melhor recuperação após exercícios terá de sair do mercado brasileiro. A determinação não se limita a uma loja específica nem a uma unidade isolada do produto.

Quem já comprou o suplemento também precisa prestar atenção, porque a decisão interrompe não apenas a comercialização, mas também seu uso. Afinal, o que levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária a adotar uma medida tão ampla?

Produto atingido é o Peptistrong

A decisão envolve o Peptistrong, comercializado sob responsabilidade da Manipulação Stevia Ltda., conhecida como Biostevi Pharma.

A Anvisa determinou o recolhimento de todos os lotes do produto e suspendeu fabricação, distribuição, comercialização, propaganda e uso. A medida entrou em vigor com a publicação no Diário Oficial da União nesta sexta-feira, 9 de outubro.

Um esclarecimento é importante: a determinação atinge todos os lotes do Peptistrong, e não necessariamente todos os demais produtos comercializados pela empresa.

Por que a Anvisa suspendeu o suplemento?

O Peptistrong é produzido a partir de proteína de fava submetida à hidrólise enzimática, processo que gera determinados peptídeos bioativos.

Embora a proteína convencional de fava tenha histórico de utilização em alimentos, a avaliação técnica da Anvisa concluiu anteriormente que o ingrediente Peptistrong apresenta características diferentes em razão desse processamento.

Segundo a agência, essa modificação pode alterar composição, estrutura, qualidade nutricional, efeitos fisiológicos ou a maneira como a proteína é metabolizada pelo organismo. Por isso, a proteína de fava hidrolisada utilizada no produto se enquadra como um novo ingrediente e precisa passar por avaliação específica de segurança antes de ser utilizada em alimentos.

Falta de avaliação não significa que houve intoxicação

A suspensão não foi motivada pela confirmação de casos de intoxicação associados ao produto.

Até a publicação da decisão, não foram informados danos específicos à saúde causados pelo consumo do Peptistrong. O problema apontado é que a avaliação prévia de segurança exigida pelas normas sanitárias não havia sido realizada para aquele ingrediente.

Essa distinção é importante: ausência da avaliação necessária não significa automaticamente que o suplemento seja tóxico, mas impede que sua segurança seja considerada demonstrada dentro das exigências regulatórias brasileiras.

Quem tem Peptistrong em casa deve interromper o uso

Como a própria resolução também suspende a utilização do produto, consumidores que ainda possuem unidades do Peptistrong não devem continuar usando o suplemento enquanto a medida estiver vigente.

A Anvisa orienta de forma geral que suplementos sejam adquiridos apenas quando regularizados e recomenda comunicar eventuais efeitos inesperados, especialmente quando houver suspeita relacionada a um produto irregular.

A medida, portanto, funciona de maneira preventiva. Para voltar ao mercado dentro das regras, o ingrediente precisará atender às exigências sanitárias aplicáveis. Até lá, todos os lotes do Peptistrong atingidos pela determinação devem permanecer fora de fabricação, venda, publicidade e uso.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.

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