Aos 74 e aos 84 anos, dois exemplos de que a vida não perde o sentido de sonhar

Envelhecer não deveria significar desistir dos caminhos que ainda queremos percorrer. E cuidar dos ossos é uma das formas de manter esses caminhos abertos

José Fernandes José Fernandes -
Aos 74 e aos 84 anos, dois exemplos de que a vida não perde o sentido de sonhar
(Imagem: Ilustração/IA)

Hoje, no consultório, atendi duas mulheres que me fizeram refletir sobre envelhecimento, autonomia e sonhos. Como médico ortopedista, vejo diariamente as limitações que a dor pode impor. Mas também vejo algo que merece ser contado: a vontade de continuar vivendo plenamente.

Dona Terezinha tem 74 anos, dirige o próprio carro e convive com artrose nos joelhos. Seu objetivo é claro: preparar-se para, daqui a oito meses, dirigir cerca de 1.200 quilômetros, de Anápolis até a praia, em busca do contato com a natureza. Ela pretende fazer a viagem sozinha. Mais do que tratar os joelhos, quer preservar a liberdade de continuar escolhendo seus caminhos.

Dona Áurea, aos 84 anos, acabou de voltar da Itália. Procurou atendimento por dor na perna, embora estivesse caminhando normalmente. Na bagagem, trouxe a realização de um sonho: conhecer lugares ligados à história de Grace Kelly, atriz que protagonizou o filme Grace de Mônaco. Uma viagem que demonstra como a curiosidade e o desejo de conhecer o mundo não precisam desaparecer com o passar dos anos.

Essas duas histórias não são sobre negar as limitações da idade, mas sobre não permitir que elas definam antecipadamente o tamanho dos nossos sonhos. Envelhecer exige cuidados, atenção à saúde e, muitas vezes, adaptações. Mas não significa deixar de planejar, viajar, descobrir lugares ou fazer novos projetos.

É justamente nesse ponto que precisamos falar de osteoporose. Diferentemente da artrose, que afeta as articulações, a osteoporose enfraquece os ossos e pode evoluir silenciosamente até provocar uma fratura. Uma queda aparentemente simples pode comprometer a mobilidade e a independência que alguém levou décadas para construir. Por isso, prevenir, identificar os riscos e tratar adequadamente a doença é também proteger a possibilidade de continuar vivendo com autonomia.

Essa preocupação não começou agora. Em Anápolis, desde 2021, temos uma Lei Municipal de minha autoria que institui a Semana de Prevenção, Orientação e Combate à Osteoporose. Uma iniciativa que nasceu da compreensão de que conscientizar, prevenir e cuidar da saúde óssea são compromissos permanentes, não apenas de uma campanha ou de um mês do ano.

Neste mês de outubro, Anápolis participa da campanha internacional “Caminhe pelos Seus Ossos”, dedicada à conscientização sobre a saúde óssea. Como médico ortopedista e coordenador das atividades da campanha, quero reforçar que cuidar dos ossos não é apenas evitar fraturas: é preservar a liberdade de viver, em todas as idades.

Aos 74 anos, Dona Terezinha já planeja sua próxima viagem. Aos 84, Dona Áurea acaba de realizar a sua. Elas nos lembram que não existe uma idade determinada para deixar de sonhar. Existe, sim, a responsabilidade de cuidar da saúde para que possamos continuar buscando aquilo que dá sentido à vida.

Porque envelhecer não deveria significar desistir dos caminhos que ainda queremos percorrer. E cuidar dos ossos é uma das formas de manter esses caminhos abertos.

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José Fernandes

José Fernandes

José Fernandes é médico (ortopedista e legista) e bacharel em direito. Atualmente vereador em Anápolis pelo MDB. Escreve todas as sextas-feiras.

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