Arturo Pérez-Reverte, escritor espanhol de 75 anos: “À medida que envelhecemos, temos menos certezas e mais incertezas”

Autor de grandes sucessos literários explica por que o passar do tempo modificou profundamente a maneira como interpreta pessoas, escolhas e o mundo

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Arturo Pérez-Reverte
(Foto: Reprodução)

Com o passar dos anos, muita gente imagina que a experiência traz respostas mais claras para quase tudo. Para o escritor espanhol Arturo Pérez-Reverte, porém, acontece justamente o contrário.

Aos 74 anos, o autor afirma que envelhecer significou trocar parte das certezas por dúvidas, contradições e uma visão menos rígida sobre a vida.

Durante um encontro com jovens, Pérez-Reverte resumiu essa mudança dizendo que, à medida que uma pessoa envelhece, tende a acumular menos certezas e mais incertezas.

O que parecia absoluto começa a mudar

Segundo o escritor, quando era mais jovem acreditava ter respostas muito definidas sobre temas como amor, amizade, religião, honra e até sobre a forma de interpretar as pessoas.

Com o tempo, porém, experiências diferentes fizeram com que muitas dessas convicções fossem revistas.

Para ele, essa perda de segurança não precisa ser encarada como algo negativo.

Ao contrário, conviver com dúvidas pode abrir espaço para perceber nuances que antes passavam despercebidas.

A vida deixa de parecer tão simples

Pérez-Reverte também rejeita a ideia de que as pessoas possam ser divididas facilmente entre boas e más.

Na avaliação dele, uma mesma pessoa pode agir de formas muito diferentes dependendo das circunstâncias.

Isso ajuda a explicar por que, com a idade, ele passou a enxergar mais áreas intermediárias entre extremos.

A vida, segundo sua reflexão, apresenta uma quantidade maior de contradições do que aquela que costumamos perceber quando somos mais jovens.

Menos respostas também podem significar mais curiosidade

Em vez de buscar recuperar todas as antigas certezas, o escritor diz encontrar estímulo justamente na possibilidade de continuar mudando de opinião.

Essa disposição para questionar aquilo que antes parecia definitivo também aparece em sua relação com a escrita.

Descobrir coisas que não havia percebido décadas antes, revisar julgamentos e observar um mesmo assunto por perspectivas diferentes passaram a fazer parte dessa etapa da vida.

O passado também ganha outra leitura

Para Pérez-Reverte, envelhecer não altera apenas a forma de olhar para o presente.

Quando uma pessoa começa a acumular mais passado do que futuro, lembranças, escolhas, erros e arrependimentos também podem assumir novos significados.

Situações que pareciam simples décadas atrás passam a ser observadas à luz de tudo o que aconteceu depois.

Nesse sentido, amadurecer não significaria necessariamente conhecer todas as respostas, mas aprender a conviver melhor com perguntas que continuam abertas.

Escritor ainda tem 74 anos

Embora a publicação argentina que repercutiu a declaração apresente Arturo Pérez-Reverte como tendo 75 anos, ele nasceu em novembro de 1951.

Portanto, em 7 de outubro de 2026, o escritor espanhol ainda está com 74 anos e completa 75 apenas no fim de novembro.

Autor de obras como O Clube Dumas, A Rainha do Sul e da série As Aventuras do Capitão Alatriste, Pérez-Reverte também trabalhou durante mais de duas décadas como repórter, incluindo cobertura de conflitos internacionais.

Hoje, sua reflexão sobre o envelhecimento parte justamente dessa longa trajetória: quanto mais experiências acumula, menos disposto ele parece a tratar o mundo como algo feito apenas de respostas definitivas.

Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.

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