Empresa usava pessoa em vulnerabilidade como “laranja” em esquema de R$ 4 milhões em Goiânia

Investigação aponta utilização de empresas conhecidas como “noteiras” para emitir documentos fiscais fraudulentos

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Empresa usava pessoa em vulnerabilidade como “laranja” em esquema de R$ 4 milhões em Goiânia
(Foto: Divulgação/PCGO)

Um esquema de fraudes fiscais que causou prejuízo superior a R$ 4 milhões aos cofres públicos de Goiás levou à prisão de dois investigados em Goiânia.

A operação foi deflagrada na quinta-feira (08) pela Polícia Civil (PC), por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT).

Além das duas prisões, os policiais cumpriram três mandados de busca e apreensão em endereços residenciais da capital. Também foram determinadas medidas para bloquear contas bancárias, ativos financeiros e frotas de veículos dos investigados, até o limite do prejuízo estimado.

Empresas de fachada eram usadas no esquema

De acordo com a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada conhecidas como “noteiras” para emitir notas fiscais fraudulentas e impedir o recolhimento regular do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A apuração aponta que uma pessoa em situação de extrema vulnerabilidade social foi colocada formalmente no quadro societário de uma dessas empresas. A suspeita é de que ela tenha sido usada como “laranja” para ocultar a identidade do verdadeiro beneficiário das operações e dificultar o alcance do patrimônio dele.

Um dos pontos que chamou a atenção dos investigadores foi a continuidade das práticas suspeitas mesmo após a morte dessa pessoa. Conforme a PC, as fraudes teriam continuado mesmo com os registros falsos ainda ativos.

Empresário e contador são apontados como articuladores

A operação teve como alvos dois homens apontados pela polícia como os principais articuladores do esquema: o suposto beneficiário das fraudes e um contador.

Segundo a corporação, o primeiro investigado possui histórico relacionado a ocorrências de estelionato, porte de armas e fraudes no setor de laticínios. Já o contador é suspeito de usar seus conhecimentos técnicos e profissionais para viabilizar as irregularidades e manter os registros empresariais em funcionamento.

As investigações apuram possíveis crimes de falsidade ideológica, associação criminosa e infrações contra a ordem tributária, entre outras condutas relacionadas ao caso.

O bloqueio de bens e valores foi determinado até o limite de R$ 4 milhões, montante estimado como prejuízo aos cofres estaduais.

O caso segue sob investigação da PC.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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