Como são feitos os remédios que saem de fábricas de Anápolis e chegam às farmácias pelo Brasil

Antes de chegar à caixa comprada no balcão, cada unidade passa por uma sequência industrial de controles, máquinas e verificações pouco conhecida pelo consumidor

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
DAIA
(Foto: Reprodução)

Uma caixa de comprimidos encontrada em uma farmácia a centenas ou milhares de quilômetros de Goiás pode ter começado sua trajetória dentro de uma fábrica em Anápolis.

O Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) concentra um dos principais polos farmacêuticos do país. Dados divulgados pelo Instituto Mauro Borges (IMB) apontam cerca de 20 empresas do segmento farmacêutico instaladas no complexo industrial.

Entre elas estão fabricantes de medicamentos genéricos, similares e outros produtos que abastecem diferentes mercados brasileiros.

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Mas entre a chegada dos insumos à indústria e a caixa que aparece na prateleira existe um processo que envolve pesagem, mistura, produção, controle de qualidade, embalagem e liberação de cada lote.

É essa estrutura que ajudou Anápolis a se consolidar como referência nacional na fabricação de medicamentos e fez com que novos investimentos continuassem sendo direcionados às linhas de produção instaladas no Daia.

Tudo começa muito antes do comprimido

A primeira etapa não é simplesmente colocar ingredientes dentro de uma máquina.

Indústrias farmacêuticas precisam trabalhar com matérias-primas e insumos previamente especificados, identificados e controlados. Cada elemento utilizado deve cumprir parâmetros definidos para aquele medicamento.

As condições de fabricação seguem regras de Boas Práticas de Fabricação, acompanhadas pelos órgãos de vigilância sanitária.

Em Goiás, a Vigilância Sanitária realiza inspeções em indústrias de medicamentos para verificar o cumprimento dessas exigências. As normas buscam garantir que os produtos mantenham padrões de segurança, qualidade e eficácia durante toda a cadeia.

A etapa seguinte varia conforme o tipo de remédio.

Para produzir comprimidos, por exemplo, os insumos passam por processos industriais que podem envolver mistura, granulação e compressão. Máquinas transformam o material preparado em unidades com peso e formato definidos.

Em outras apresentações, o caminho muda. Soluções líquidas, cápsulas, pomadas e colírios exigem equipamentos e linhas específicas.

Uma das modernizações recentes no polo mostra a escala dessa produção. Em março de 2026, o Laboratório Teuto colocou em funcionamento no Daia uma máquina capaz de elevar de 6 mil para 18 mil cartelas por hora a capacidade de uma etapa de embalagem.

Controle acompanha a produção

A velocidade das máquinas não elimina a necessidade de conferir o produto.

Ao longo da fabricação, diferentes amostras e etapas passam por controles para verificar se o medicamento permanece dentro das especificações definidas.

No caso de comprimidos, características como peso, resistência, desintegração e quantidade do princípio ativo podem fazer parte das verificações previstas para cada produto e processo.

Depois, começa outra fase facilmente reconhecida pelo consumidor: a embalagem.

Comprimidos podem ser inseridos em blísteres, os conhecidos conjuntos de plástico e alumínio, que depois seguem para cartuchos acompanhados de bula quando aplicável.

Essa etapa também passou a receber novos investimentos em Anápolis. Em 2026, um projeto de R$ 100 milhões anunciado pelo Teuto incluiu equipamentos para compressão de comprimidos, embalagem e envase de colírios, além de adaptações da estrutura industrial.

O laboratório informa fabricar mais de 570 produtos na unidade anapolina, envolvendo categorias como antidiabéticos, antitérmicos, anti-inflamatórios, antimicrobianos e medicamentos para diferentes outras finalidades.

De Anápolis para outros mercados

A localização ajuda a explicar por que um polo industrial desse tamanho conseguiu se estabelecer no município.

Anápolis ocupa um ponto estratégico entre Goiânia e Brasília e possui conexão com importantes corredores rodoviários e ferroviários. O município abriga ainda o Porto Seco e o maior distrito industrial de Goiás.

Essa posição favorece tanto a chegada de insumos quanto a distribuição da produção.

O setor continua crescendo. A Vitamedic, também instalada no Daia, integra um grupo que anunciou novos planos de expansão da operação em Anápolis, enquanto fabricantes locais seguem investindo em pesquisa, maquinário e aumento da capacidade industrial.

Esse conjunto explica por que medicamentos produzidos no município conseguem chegar a farmácias de diferentes partes do Brasil.

Para quem compra uma caixa no balcão, o processo permanece praticamente invisível. Mas por trás de cada comprimido existe uma cadeia que começa com matérias-primas, atravessa máquinas de alta capacidade, laboratórios de controle e linhas de embalagem até finalmente deixar o Daia rumo ao consumidor.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.