Ponte histórica na divisa de Goiás foi desmontada e montada novamente 2,5 km depois

A estrutura metálica precisou ser separada em partes, transportada e reconstruída, enquanto vestígios da localização original permaneceram no lugar

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
Ponte Affonso Penna
((Foto: Reprodução/O Popular)

Quem atravessa ou observa a histórica Ponte Affonso Penna, sobre o Rio Paranaíba, dificilmente imagina que aquela enorme estrutura metálica nem sempre esteve exatamente naquele ponto.

A ponte que liga a região de Itumbiara, em Goiás, a Araporã, em Minas Gerais, foi literalmente desmontada, transportada e reconstruída em outro lugar.

Documentos utilizados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registram que a transferência aconteceu em 1974, quando a estrutura foi deslocada cerca de 2,5 quilômetros rio abaixo.

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O motivo estava relacionado às transformações provocadas pela implantação da Usina Hidrelétrica de Itumbiara e às novas necessidades de circulação na região.

A ponte foi separada em módulos

Mudar uma estrutura desse tamanho exigiu muito mais do que simplesmente retirá-la inteira de um ponto e colocá-la em outro.

Registros técnicos sobre a intervenção descrevem que a parte metálica foi desmontada em módulos. Os componentes foram levados para uma área próxima à nova posição, passaram por recuperação e depois foram novamente reunidos.

Enquanto a remontagem acontecia, novas fundações e pilares eram preparados para receber a ponte.

Um detalhe importante permaneceu para contar onde tudo começou: os pilares originais ficaram no local antigo.

O próprio acervo fotográfico de Furnas preserva registros da estrutura após esse processo e descreve a desmontagem, recuperação e remontagem da Ponte Affonso Penna.

Hoje, a ponte continua sendo um dos símbolos de uma região onde Itumbiara e Araporã ficam separadas pelo Rio Paranaíba e mantêm uma relação histórica bastante próxima.

Estrutura atravessou mais de um século de história

A parte metálica da Ponte Affonso Penna foi construída na Alemanha e instalada no Brasil no início do século XX.

Documentação do Iphan registra sua montagem em 1909, mesmo ano da emancipação político-administrativa de Itumbiara, então chamada Santa Rita do Paranaíba.

Durante décadas, a travessia teve importância para a ligação entre Goiás, Minas Gerais e outras regiões do interior do país.

Com a construção de novas vias e mudanças no tráfego, sua função foi se transformando, mas a estrutura permaneceu como referência histórica.

Em 2012, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o tombamento federal da ponte. Ela aparece atualmente na relação de bens protegidos pelo Iphan.

Para quem visita Itumbiara e percorre os pontos próximos ao Rio Paranaíba, a ponte parece ter sido feita para aquele cenário.

Mas os pilares que permaneceram na posição original contam outra história.

A estrutura atravessou o rio, o tempo e uma complexa operação de engenharia antes de chegar ao lugar onde permanece hoje.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.