Sindicato do comércio de Goiás teme demissões e aumento de preços com fim da escala 6×1

Entidade que representa mais de 55 mil empresas no estado alerta para possíveis impactos no emprego, na renda das famílias e no funcionamento do varejo

Augusto Araújo Augusto Araújo -
Sem progresso: estudo da UFG revela pessimismo de trabalhadores na rotina 6x1
Região da Rua 44, em Goiânia, concentra grande número de trabalhadores do comércio. (Foto: Divulgação / AER44)

A aprovação do fim da escala de trabalho 6×1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), acendeu um sinal de alerta entre os empresários do comércio em Goiás.

O Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás (Sindilojas-GO), que representa mais de 55 mil empresas, manifestou preocupação com os possíveis impactos da mudança, principalmente sobre a manutenção dos empregos.

Na avaliação da entidade, a substituição da atual escala pelo modelo 5×2, com dois dias de descanso remunerado por semana, pode provocar demissões, aumento dos preços e dificuldades para o setor varejista.

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O sindicato também teme que os reflexos da medida atinjam diretamente a renda das famílias, principalmente caso trabalhadores percam seus empregos e encontrem dificuldades para retornar ao mercado de trabalho.

Outro ponto levantado pelo Sindilojas-GO é a falta de um diálogo mais aprofundado com o setor produtivo antes da aprovação de uma mudança considerada significativa nas relações trabalhistas.

A entidade informou ainda que seu Departamento Jurídico acompanha os próximos passos da proposta, que aguarda promulgação pelo Congresso Nacional.

O que muda com o fim da escala 6×1?

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 foi aprovada pelo Senado em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário.

O texto estabelece a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários, e garante dois dias de descanso remunerado por semana.

A implementação será gradual. Dois meses após a publicação da emenda constitucional, o limite semanal cairá para 42 horas. Passados mais 12 meses, chegará a 40 horas.

Como a proposta já havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados, resta agora a promulgação pelo Congresso Nacional para que os prazos comecem a contar.

Confira a íntegra da nota do Sindilojas-GO

“O Sindilojas-GO (Sindicato do Comércio Varejista no Estado de Goiás) vê com apreensão a aprovação, no Senado, da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala de trabalho 6×1. Desemprego, comprometimento da renda familiar, estagnação no comércio, inflação e juros altos são alguns dos prejuízos que, na avaliação do sindicato, podem incorrer com a implementação da jornada 5×2.

O Departamento Jurídico do Sindilojas-GO acompanha os trâmites legislativos após a decisão do Senado de baixar de 44 para 40 horas semanais o teto da carga de trabalho no Brasil, e concedendo dois dias de descanso remunerado por semana.

Representando mais de 55 mil empresas do comércio varejista em Goiás, o Sindilojas-GO argumenta que faltou diálogo qualificado para uma mudança de tamanha magnitude nas relações de trabalho. A instituição teme ainda que a provável massa de trabalhadores demitida na esteira dessa decisão enfrente sérias dificuldades de se recolocar no mercado de trabalho.”

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Augusto Araújo

Augusto Araújo

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás, é editor do Portal 6. Já atuou em veículos como o Jornal Opção e tem experiência em assessoria de comunicação. Apaixonado por esportes, preza pela apuração rigorosa, pela clareza na informação e pelo compromisso com o interesse público.