A psicologia explica que ter poucos amigos após os 60 nem sempre indica solidão e pode refletir a preferência por relações mais profundas
Ligações sociais menores após os 60 podem refletir maior seletividade, mas solidão depende da qualidade e da satisfação com os vínculos.

Chegar aos 60 anos com um círculo de amigos menor não significa, necessariamente, estar sozinho ou ter dificuldade para criar vínculos.
De acordo com pesquisas em psicologia do comportamento, ao envelhecer, muitas pessoas passam a selecionar com mais cuidado com quem desejam dividir tempo e energia.
A psicóloga norte-americana Laura Carstensen, professora da Universidade Stanford e fundadora do Stanford Center on Longevity nos Estados Unidos (EUA), e referência em estudos sobre envelhecimento, desenvolveu a chamada teoria da seletividade socioemocional.
Segundo ela, conforme a percepção sobre o tempo de vida muda, aumenta a tendência de priorizar relações emocionalmente significativas em vez de contatos periféricos.
Um estudo que acompanhou pessoas entre 18 e 94 anos encontrou justamente esse padrão.
Os participantes mais velhos tinham menos relações periféricas, mas mantinham quantidade semelhante de pessoas emocionalmente próximas quando comparados aos mais jovens.
Outra pesquisa, com usuários de redes sociais de 18 a 93 anos, mostrou que adultos mais velhos tinham redes menores, porém uma proporção maior de contatos considerados amigos de verdade.
Isso não significa que quantidade nunca importe. Em um estudo da Universidade de Michigan, nos EUA, com 223 cuidadores de pessoas com demência, cuja idade média era de 61 anos, associou um número maior de amigos próximos a menores níveis de solidão momentânea.
Interações positivas com amigos também ajudaram a reduzir essa sensação.
A principal diferença está entre estar só e sentir-se sozinho. O Instituto Nacional do Envelhecimento norte-americano explica que solidão é a sensação angustiante de desconexão, enquanto isolamento social envolve objetivamente poucos contatos regulares.
Uma pessoa pode morar sozinha sem sentir solidão e, da mesma forma, sentir-se solitária mesmo cercada por outras pessoas.
Assim, um círculo pequeno pode representar escolha e profundidade.
Porém, quando vem acompanhado de sofrimento, falta de apoio ou isolamento involuntário, merece atenção.
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