Bianca Zibetti, psicanalista: “Depressão e ansiedade têm muito a ver com a cobrança de estar bem o tempo todo”

Em uma sociedade que valoriza produtividade e felicidade constante, reconhecer o próprio sofrimento pode ser um passo importante para cuidar da saúde mental

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
ansiedade
(Imagem: Ilustração/IA)

Estar bem o tempo todo parece uma meta desejável, mas essa expectativa pode se transformar em mais uma fonte de pressão. Em meio às responsabilidades, às cobranças profissionais e à exposição constante nas redes sociais, muitas pessoas sentem que precisam demonstrar felicidade mesmo quando enfrentam momentos difíceis.

Para a psicanalista Bianca Zibetti, conhecida nas redes sociais como @lic.zeta, essa exigência ajuda a compreender parte do sofrimento emocional contemporâneo. A profissional chama a atenção para uma contradição: enquanto a sociedade cobra produtividade e disposição permanentes, nem sempre oferece espaço para que as pessoas reconheçam e expressem o próprio mal-estar.

Por que existe tanta pressão para estar bem?

A expectativa de manter uma postura positiva diante de qualquer situação pode fazer com que sentimentos como tristeza, angústia e frustração sejam tratados como problemas que precisam desaparecer rapidamente.

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No entanto, emoções desconfortáveis fazem parte da experiência humana. Quando alguém acredita que precisa estar feliz o tempo inteiro, pode começar a esconder o que sente ou a se culpar por não conseguir acompanhar o ritmo esperado.

Além disso, as redes sociais contribuem para essa percepção ao expor versões selecionadas da vida cotidiana. Fotografias de viagens, conquistas profissionais e momentos felizes criam uma imagem de sucesso que nem sempre corresponde à realidade completa das pessoas.

Nesse cenário, a comparação se torna frequente. Algumas pessoas passam a medir a própria vida a partir das experiências que observam na internet e sentem que estão ficando para trás quando enfrentam dificuldades.

A cobrança também aparece na rotina de trabalho. A necessidade de produzir mais, conquistar estabilidade financeira e cumprir diferentes responsabilidades pode reduzir o tempo disponível para descansar e compreender as próprias emoções.

Quando a angústia precisa de atenção?

Na perspectiva psicanalítica apresentada por Zibetti, a angústia nem sempre encontra palavras para ser expressa. Em alguns momentos, o sofrimento aparece por meio de sensações físicas, como um aperto na garganta, um desconforto no estômago ou a vontade de chorar.

Por isso, reconhecer o que acontece consigo mesmo pode ser difícil. Em vez de conseguir explicar o que sente, a pessoa pode perceber apenas que está sobrecarregada ou que algo não vai bem.

A psicanálise propõe um espaço de escuta para que essas experiências sejam elaboradas ao longo do tempo. Isso não significa que exista uma resposta única para todos os casos, mas que compreender a própria história pode ajudar a identificar conflitos e situações que provocam sofrimento.

Também é importante observar quando o mal-estar começa a interferir na vida cotidiana. Alterações persistentes no sono, na alimentação e nas relações com pessoas próximas merecem atenção, especialmente quando dificultam a realização de atividades habituais.

Nessas situações, procurar ajuda profissional pode ser um passo importante. O acompanhamento adequado permite avaliar o que está acontecendo e identificar formas de cuidado compatíveis com as necessidades de cada pessoa.

A principal reflexão é que ninguém precisa transformar a felicidade em uma obrigação permanente. Reconhecer os próprios limites, falar sobre sentimentos difíceis e aceitar que existem períodos de vulnerabilidade são atitudes que podem abrir espaço para uma relação mais cuidadosa consigo mesmo.

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Isabella Cavalcante

Isabella Cavalcante

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde agosto de 2026.

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