Sem dinheiro para comprar tijolos, idosa decide construir com garrafas descartadas e transforma coleção de 17 mil lápis em uma vila com 15 prédios
Aos 60 anos, uma mulher encontrou no lixo a solução para realizar um projeto pessoal e acabou criando um dos lugares mais curiosos da Califórnia

Imagine passar anos juntando objetos que quase ninguém considera valiosos e, um dia, descobrir que já não existe espaço suficiente para guardá-los. O que parecia apenas um problema doméstico acabou levando uma idosa a realizar uma construção tão incomum que, décadas depois, ela seria reconhecida como patrimônio histórico.
A história aconteceu nos Estados Unidos e começou de maneira bastante simples. Sem recursos para comprar os materiais que desejava, uma mulher encontrou uma alternativa inesperada.
Quem foi a vovó Prisbrey, criadora da vila de garrafas?
Tressa Luella Prisbrey, conhecida como Grandma Prisbrey, nasceu em 1896, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos.
Sua trajetória foi marcada por dificuldades financeiras, mudanças de cidade e perdas familiares. Casou-se ainda adolescente, teve sete filhos e trabalhou em diferentes atividades para sustentar a família.
Na década de 1940, mudou-se para a Califórnia, onde trabalhou em uma empresa de processamento de frutas cítricas.
Anos depois, passou a viver com o marido, Albert Prisbrey, em um terreno em Simi Valley. Foi nesse local que, aos 60 anos, começou o projeto que mudaria sua vida.
Coleção de 17 mil lápis deu início à construção
Tressa tinha uma coleção de aproximadamente 17 mil lápis comemorativos, guardados durante anos.
Com pouco espaço disponível no trailer onde morava, decidiu construir um pequeno cômodo para organizar os objetos.
Inicialmente, procurou blocos de concreto, mas descobriu que estavam muito caros para seu orçamento.
A solução apareceu quando começou a visitar um depósito de lixo próximo da propriedade.
Ali, encontrou garrafas de vidro descartadas que poderiam substituir os materiais convencionais.
Como garrafas de vidro se transformaram em construções?
Em 1956, Tressa começou a erguer as primeiras paredes utilizando garrafas deitadas horizontalmente e fixadas com argamassa.
Ela organizava os recipientes por tamanho e cor, criando desenhos que mudavam de aparência conforme a luz atravessava o vidro.
Grande parte do trabalho foi realizada pela própria idosa, que também aproveitava azulejos quebrados, brinquedos, louças e peças de automóveis.
O que começou como um depósito tornou-se a chamada Grandma Prisbrey’s Bottle Village, ou Vila das Garrafas da Vovó Prisbrey.
Vila chegou a reunir 15 construções destinadas às coleções
Ao longo de aproximadamente 25 anos, Tressa desenvolveu um conjunto de edifícios, jardins, caminhos decorados e esculturas.
O registro histórico norte-americano descreve 16 pequenas estruturas, das quais 15 foram destinadas a guardar coleções. A contagem explica a referência aos 15 prédios frequentemente utilizada para descrever a vila.
Entre as construções estavam a Casa das Bonecas, com mais de 600 brinquedos, a Casa Redonda e a Casa das Conchas.
Esta última foi inicialmente preparada para acolher um filho gravemente doente e, posteriormente, tornou-se um espaço dedicado à sua coleção de conchas.
A vila também ganhou santuários e homenagens familiares, transformando lembranças pessoais em arte.
Construção virou patrimônio histórico e resistiu ao tempo
A criatividade de Tressa despertou a atenção de artistas e pesquisadores, e o espaço passou a receber visitantes interessados em conhecer suas construções.
Em 1981, a vila foi reconhecida como patrimônio histórico da Califórnia.
Tressa morreu em 1988, aos 92 anos, mas sua criação continuou preservada.
Em 1994, um terremoto danificou várias estruturas, mobilizando esforços para restaurar o local. Dois anos depois, a vila entrou no Registro Nacional de Lugares Históricos dos Estados Unidos.
Atualmente, o espaço permanece sob os cuidados de uma organização de preservação e oferece visitas previamente agendadas.
Mais do que uma experiência com materiais reaproveitados, a Vila das Garrafas mostra como uma necessidade simples pode despertar a criatividade. Sem formação em arquitetura e com recursos limitados, Tressa transformou objetos descartados em um patrimônio que continua contando sua história.
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