O que a polícia descobriu até o momento sobre o assassinato de casal em frente a adega de bebidas de Anápolis
Comandante da PM cita suspeita de articulação por faccionados que vivem fora do estado e recrutamento de pessoas para executar ataques em Goiás

O assassinato do casal Hiago e Ana Carolina, mortos a tiros em frente a uma adega de Anápolis, pode estar relacionado a uma cobrança de dívida do tráfico de drogas e ao conflito entre integrantes de facções criminosas do Rio de Janeiro com membros em Goiás.
A hipótese foi apresentada pelo coronel Fábio Costa, comandante do 3º Comando Regional da Polícia Militar (CRPM), durante coletiva de imprensa na manhã desta segunda-feira (19).
Segundo o comandante, as informações levantadas após a prisão de dois suspeitos indicam que Hiago mantinha contato com um líder de facção escondido no Rio de Janeiro e seria responsável pela contabilidade do criminoso.
De acordo com o coronel, os suspeitos teriam ido até a adega para cobrar uma dívida relacionada a essa disputa. A hipótese apresentada pela Polícia Militar é de que o ataque tenha sido direcionado a Hiago, enquanto Ana Carolina teria sido morta por estar junto a ele.
Casal tinha histórico relacionado ao tráfico de drogas
Durante a entrevista, o coronel Fábio Costa confirmou que o casal tinha histórico criminal relacionado ao tráfico de drogas e que os dois já haviam sido presos juntos por esse tipo de ocorrência.
Já presos, os dois suspeitos pelo assassinato foram identificados como Ismael e Matheus. No relato do militar, eles teriam sido mobilizados por lideranças da facção para fazer a cobrança, embora desempenhassem funções diferentes na execução do plano.
Matheus não possuía antecedentes criminais conhecidos e teria sido chamado para pilotar a motocicleta utilizada na ação. Ismael, por sua vez, teria histórico de envolvimento com atos infracionais quando adolescente.
Disputa entre facções
Outro ponto destacado na entrevista é a possível atuação de lideranças criminosas de fora de Goiás, mas que mantêm contatos e recrutam pessoas para cumprir ações no estado.
Segundo ele, integrantes desses grupos estariam escondidos em comunidades do Rio de Janeiro e em condomínios fechados no Distrito Federal.
Na avaliação de Fábio Costa, essas lideranças usam pessoas em situação de vulnerabilidade para executar crimes, fornecendo armas e indicando os alvos. A estratégia permitiria que os responsáveis pelas ordens permanecessem distantes da execução direta dos ataques.
Relembre o crime
O crime ocorreu na tarde de domingo (18) no setor Maracanã, em frente a distribuidora de bebidas Adega du 7, na Avenida Presidente Kennedy, que pertencia a Hiago.
Ele e a companheira estavam sentados em frente ao estabelecimento quando dois homens em uma motocicleta se aproximaram e efetuaram os disparos.
Hiago foi atingido por seis disparos, que atingiram as regiões do abdômen, tórax, braço e pernas do jovem. Ele não resistiu aos ferimentos e m0rreu ainda no local.
Já Ana Carolina foi baleada três vezes e, logo m seguida, levada por testemunhas ao Hospital Municipal Alfredo Abrahão (HMAA).
Ela seria encaminhada ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana), onde passaria por cirurgia. No entanto, faleceu antes da transferência.
Logo após o crime, a PM iniciou diligências para identificar e encontrar os criminosos. O primeiro suspeito, de 20 anos, foi achado horas depois enquanto dirigia um Fiat Palio branco em Campo Limpo de Goiás.
Durante a abordagem, o jovem confessou participação no duplo homicídio e apontou o envolvimento do segundo homem, de 28 anos. Questionado sobre as armas usadas no crime, ele também indicou uma propriedade rural onde os armamentos estariam escondidos.
Com as informações, os policiais seguiram até a residência do segundo suspeito, de 28 anos, onde ele foi encontrado e preso.
Na abordagem, o suspeito mais velho confessou ter adulterado os números finais da placa do da motos com fita isolante para dificultar a identificação por parte da polícia.
Na propriedade rural indicada, os militares encontraram duas armas de fogo escondidas dentro de uma sacola, sobre uma prateleira na área de serviço. Foram apreendidos um revólver calibre .38 e uma pistola calibre .380, ambos da marca Taurus e sem munições.
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