Ruínas de antigo povoado do ouro viraram museu a céu aberto em Goiás
Povoado nasceu no início da mineração em Goiás, perdeu moradores ao longo dos séculos e teve ruínas preparadas para receber visitantes

A cerca de 13 quilômetros do centro histórico da Cidade de Goiás, paredes incompletas, alicerces e antigas sepulturas são praticamente tudo o que permanece de um povoado que surgiu junto com a corrida pelo ouro no território goiano.
O Arraial de Ouro Fino, fundado em 1727 e associado às expedições de Bartolomeu Bueno da Silva Filho (1672-1740), conhecido como o segundo Anhanguera, recebeu mineradores atraídos pelas jazidas próximas ao Rio Uru, em Goiás.
O local chegou a reunir dezenas de edificações antes de enfrentar um longo processo de esvaziamento.
Um povoado construído ao redor do ouro
Ouro Fino não era formado apenas por garimpeiros.
Segundo algumas pesquisas arqueológicas indicam a presença de comerciantes, religiosos, trabalhadores escravizados e outros moradores que criaram ali uma pequena comunidade.
Através de escavações e levantamentos localizaram vestígios de casas, pisos, sepultamentos, cerâmicas, louças, vidros, metais e cachimbos.

(Foto: Reprodução/Alessandra Cecília)
No centro da vida religiosa estava a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, cujas ruínas se tornaram o principal marco visível do antigo arraial.
Esses achados também ajudam a corrigir uma ideia simplificada de que a comunidade desapareceu imediatamente quando o ouro perdeu força.
Em uma pesquisa apresentada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) em 2025 aponta que moradores ainda buscaram formas de adaptação. Inclusive por meio de atividades ligadas à subsistência rural, antes que o povoado se esvaziasse de vez.
Nem tudo desapareceu com as casas
O acervo dos museus federais em Goiás conserva peças provenientes da antiga igreja, entre elas partes do retábulo do altar-mor, uma pia ritual usada em batismos, uma cadeira do século XVIII e o frontal de um confessionário.
Um fragmento entalhado do altar, por exemplo, foi retirado dos escombros após permanecer soterrado e acabou incorporado ao Museu das Bandeiras, na Cidade de Goiás.
A memória também permaneceu com antigos moradores e famílias ligadas ao arraial.
A pesquisadora Laura Ludovico de Melo reuniu relatos dessas pessoas em estudo sobre a paisagem, a arqueologia e as lembranças de Ouro Fino.
Museu já foi entregue aos visitantes
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), as obras de musealização começaram em 2023 e receberam R$ 1 milhão de orçamento.
O projeto consolidou e impermeabilizou estruturas, além de instalar calçamento, bancos, alambrado, paisagismo e placas para visitantes.
A inauguração ocorreu em 15 de dezembro daquele ano, encerrando a etapa prevista para transformar as ruínas em museu a céu aberto.
Em abril de 2026, a Lei estadual nº 24.252 reconheceu oficialmente as ruínas como patrimônio histórico e cultural goiano.
A norma também inseriu no calendário estadual as comemorações populares e religiosas realizadas no primeiro domingo de setembro.
Atualmente, Ouro Fino aparece no Caminho de Cora Coralina, no trecho entre Calcilândia e Ferreiro.
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(Foto: Reprodução)
O roteiro oficial passa pelas ruínas em percurso predominantemente por estradas de terra e classificado como difícil para quem faz o trajeto completo a pé ou de bicicleta.
Por se tratar de área rural e de acesso por estrada de terra, vale confirmar as condições locais antes da viagem.
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