Caldas Novas faz 115 anos: conheça histórias e lendas que vão muito além dos parques aquáticos
Município goiano celebra aniversário nesta quarta-feira (21) com uma trajetória que reúne descobertas históricas, garimpo e mistérios das águas termais

Conhecida pelos parques aquáticos e pelas piscinas de águas naturalmente quentes, Caldas Novas completa 115 anos nesta quarta-feira (21).
Mas, muito antes de se transformar em um dos destinos turísticos mais conhecidos de Goiás, a cidade já despertava curiosidade por suas fontes termais, histórias de garimpeiros e até uma lenda sobre a existência de um vulcão.
Localizado no Sul goiano, o município comemora o aniversário em 21 de outubro, data da instalação de sua primeira administração municipal, em 1911.
A emancipação ocorreu após o desmembramento de Morrinhos, oficializado pela Lei Estadual nº 393, de 5 de julho daquele ano.
Entretanto, a história da região começou muito antes da autonomia política. Segundo registros históricos reunidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as águas termais já chamavam a atenção de exploradores no século XVIII.
Das primeiras descobertas à corrida pelo ouro
Em 1722, durante uma expedição pelo território goiano, Bartolomeu Bueno da Silva Filho encontrou um ribeirão de águas quentes nas proximidades de uma serra. Ao acompanhar o curso da água, também identificou vestígios de ouro, mas seguiu viagem.
Décadas depois, em 1777, outro personagem passou a integrar a história local: Martinho Coelho de Siqueira.
De acordo com o relato histórico preservado pelo IBGE, ele participava de uma caçada quando percebeu que seus cães haviam entrado em águas excessivamente quentes. O episódio ficou associado à descoberta das fontes conhecidas como Caldas de Pirapitinga.
No mesmo ano, Martinho também identificou fontes termais às margens do córrego de Lavras, que passaram a ser chamadas de Caldas Novas.

Balneário Municipal representa a tradição das águas termais que ajudaram a construir a história de Caldas Novas. (Foto: Reprodução/Câmara Municipal)
A descoberta de ouro nas proximidades atraiu garimpeiros, enquanto as águas quentes despertavam o interesse de pessoas que buscavam banhos com supostas propriedades terapêuticas.
Com o aumento da circulação de pessoas, surgiram as primeiras moradias, dando origem ao povoado que posteriormente se transformaria no município.
A lenda do vulcão de Caldas Novas
A explicação, apesar de popular, não corresponde às características geológicas da região.
A água da chuva penetra em fraturas das rochas, alcança camadas mais profundas do subsolo e ganha temperatura antes de retornar à superfície.
A aparência da Serra de Caldas Novas contribuiu para alimentar a lenda. Vista do alto, a formação apresenta um contorno que lembra uma grande cratera, embora não tenha origem vulcânica.
Em junho de 2025, uma imagem de satélite divulgada pela Nasa voltou a despertar a curiosidade de moradores e visitantes sobre a formação geológica.
A serra abriga o Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (Pescan), unidade de conservação criada em 1970 para proteger a região associada às águas termais.

Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (Foto: Divulgação)
De povoado a destino turístico
A instalação do município, em 21 de outubro de 1911, marcou uma nova etapa na história de Caldas Novas. O coronel Bento de Godoy assumiu como primeiro intendente, função equivalente à de prefeito.
Posteriormente, em 21 de junho de 1923, a localidade recebeu oficialmente a categoria de cidade.
Com o passar das décadas, as fontes termais, inicialmente procuradas para banhos, ajudaram a impulsionar o desenvolvimento turístico e imobiliário da região.
Hoje, além dos parques aquáticos, Caldas Novas reúne atrativos naturais, paisagens do Cerrado e espaços ligados à preservação da história local.
Segundo o Censo de 2022 do IBGE, o município possui 98.622 habitantes, sendo o 16º mais populoso de Goiás. Além disso, possui PIB per capita de R$ 38.348,69, se encontrando no 129° lugar no ranking estadual.
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