Nome de Goiânia foi escolhido após concurso mas motivo da decisão permanece desconhecido

Na contagem de 1933, Petrônia tinha 105 votos; Goiânia não chegava a dez

Angelina de Paula Angelina de Paula -
Nome de Goiânia foi escolhido após concurso mas motivo da decisão permanece desconhecido
A pedra fundamental de Goiânia, lançada em 1933, marcou o início da capital planejada. (Foto: Reprodução)

Se a preferência registrada no concurso do jornal O Social tivesse definido o nome da nova capital, os moradores de Goiânia poderiam hoje se chamar petrônios.

Em 1933, o nome “Petrônia” ficou à frente das demais sugestões. O governador Pedro Ludovico Teixeira, porém, adotou “Goiânia” no decreto que criou o município, em 1935.

O documento não explica o por quê.

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Petrônia, Anhanguera e outros nomes na disputa

O jornal O Social, publicado na Cidade de Goiás, abriu em 5 de outubro de 1933 o concurso “Como se deve chamar a Nova Capital?”.

Qualquer pessoa podia enviar uma proposta, e o prêmio era uma assinatura do periódico por dois anos.

Tratava-se de uma iniciativa do jornal, sem regra conhecida que obrigasse o governo a seguir o resultado.

O poeta e juiz Léo Lynce propôs “Petrônia”.

Na justificativa que o jornal publicou, ele citou Pedro Ludovico, os imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II e São Pedro.

Já o professor Alfredo de Faria Castro, que assinou sua proposta com o pseudônimo Caramuru Silva do Brasil, defendeu “Goiânia” como uma “Nova Goiás”: um nome que ligaria a cidade em construção à antiga capital, Vila Boa.

Uma apuração publicada em 16 de novembro de 1933, reproduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), registrou 105 votos para “Petrônia”.

“Anhanguera” aparecia com 26; “Heliópolis”, com 16; “Crisópolis”, com 13; e “Tupirama”, com 10.

Goiânia não alcançou o mínimo de dez votos exigido para entrar naquela relação.

Os pesquisadores identificaram dois votos para a proposta: o do autor e o da professora Zanira Campos Rios.

O jornal também recebeu nomes como “Americana”, “Aspirópolis” e “Petrolândia”.

Os 105 votos eram uma contagem até aquela data, não um total final demonstrado pela apuração reproduzida.

A página histórica da Prefeitura de Goiânia menciona 68 votos para Petrônia, mas não informa quando ocorreu essa contagem.

As duas fontes concordam que “Petrônia” liderou; os números precisam conservar suas respectivas ressalvas.

O que Pedro Ludovico decidiu

Em 2 de agosto de 1935, Ludovico assinou o Decreto nº 327.

A Casa Civil disponibiliza uma reprodução em PDF do Decreto nº 3.359, de 18 de maio de 1933, que tratou da implantação da nova capital.

É uma reprodução digital do texto, não uma fotografia da página original de 1933.

O primeiro artigo reuniu territórios para criar o Município de Goiânia e estabeleceu sua sede na cidade do mesmo nome, ainda em construção.

O texto oficial registra a denominação, mas não apresenta uma justificativa para escolhê-la.

A transferência formal da capital ocorreu depois, por outro decreto, em março de 1937.

Uma explicação repetida é que Ludovico teria recusado “Petrônia” para evitar uma homenagem a si próprio.

A hipótese combina com o sentido daquele nome, mas não aparece como motivo declarado no decreto.

Também não há base para afirmar que ele escolheu “Goiânia” por causa de um livro: pesquisadores da UFG mostram que o poema Goyania já usava a palavra em 1896, sem comprovar que a obra determinou a decisão de 1935.

Assim, a história documenta o concurso, as propostas, a liderança de “Petrônia” e o ato que consagrou Goiânia.

O que teria levado Pedro Ludovico a preferir o nome menos votado continua no campo das hipóteses.

Antes do concurso, o Decreto nº 3.359, de 18 de maio de 1933 definiu onde a nova capital seria construída, ainda sem lhe dar um nome.

(Foto: Reprodução/Casa Civil do Estado de Goiás.)

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Angelina de Paula

Angelina de Paula

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.