Farmacêutica italiana investe R$ 124 milhões em fábrica brasileira para aumentar produção de inaladores usados por pessoas com asma

Companhia prepara uma modernização industrial que deve elevar em quase 67% a capacidade produtiva da unidade brasileira e introduzir uma tecnologia com menor impacto ambiental

Fábrica Chinesi em São Paulo
Fábrica da companhia em Parma, Itália (Imagem: Divulgação/Chinesi)

Uma farmacêutica italiana decidiu ampliar seus investimentos no Brasil com um aporte de R$ 124 milhões em sua estrutura industrial. O projeto prevê modernização das instalações, aquisição de novos equipamentos e ampliação da fabricação de medicamentos utilizados no tratamento de doenças respiratórias.

A iniciativa também pretende introduzir uma tecnologia diferente nas tradicionais bombinhas de asma, com potencial para reduzir significativamente o impacto ambiental desses dispositivos.

Chiesi vai ampliar fábrica em São Paulo

A empresa responsável pelo investimento é a Chiesi Farmacêutica, multinacional italiana que está presente no Brasil desde 1976. A unidade escolhida para receber os recursos fica em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, e funciona desde agosto de 1981.

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Foto Chinesi 1
Foto Chinesi 2
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Atualmente, a fábrica produz medicamentos inalatórios, sólidos e líquidos, abastecendo o mercado brasileiro e outros países. Com o novo investimento, a capacidade produtiva anual deverá passar de 15 milhões para 25 milhões de unidades, um crescimento de aproximadamente 67%.

O número de medicamentos fabricados na unidade também deverá aumentar, passando de 11 para 19 produtos.

Nova tecnologia será utilizada nas bombinhas de asma

Um dos principais objetivos da expansão é fabricar uma nova geração de inaladores pressurizados, conhecidos popularmente como bombinhas e utilizados por pessoas com asma e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).

A mudança envolve a substituição do gás propelente HFA 134a pelo HFA 152a, responsável por impulsionar o medicamento para as vias respiratórias.

Segundo a companhia, a nova tecnologia poderá reduzir em até 90% a pegada de carbono dos inaladores, sem comprometer a eficácia terapêutica. A inovação faz parte de uma estratégia ambiental que pretende diminuir as emissões associadas à fabricação e ao uso dos produtos.

Brasil tem milhões de pessoas com doenças respiratórias

O investimento acontece em um mercado que atende a uma parcela expressiva da população. Segundo informações divulgadas pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, aproximadamente 20 milhões de brasileiros vivem com asma, e o país registra cerca de 350 mil internações anuais relacionadas à doença.

Os medicamentos inalatórios são importantes para controlar os sintomas e administrar substâncias diretamente nas vias respiratórias.

A mesma via de administração também é utilizada em diferentes tratamentos para DPOC, conforme os protocolos clínicos do Ministério da Saúde.

Fábrica brasileira também abastece outros países

Atualmente, a Chiesi exporta medicamentos produzidos em Santana de Parnaíba para diferentes mercados internacionais, e aproximadamente 31% da produção deverá ser destinada ao exterior após a ampliação.

A companhia também pretende aumentar sua autonomia industrial, fabricando no Brasil produtos que atualmente dependem de outras unidades do grupo. Entre os mercados que podem receber novos fornecimentos estão México e Colômbia.

Empresa quer faturar R$ 1 bilhão até 2030

O investimento de R$ 124 milhões acompanha uma fase de crescimento da operação brasileira. Em 2025, a Chiesi registrou faturamento de R$ 690 milhões no país e estabeleceu a meta de alcançar R$ 1 bilhão até 2030.

A empresa também pretende ampliar o número de pacientes atendidos e fortalecer sua participação no fornecimento de tratamentos respiratórios pelo SUS e pelo programa Farmácia Popular.

As obras de ampliação começaram em 2026, mas a instalação dos equipamentos e a fabricação comercial dos novos inaladores ainda dependem das etapas industriais e regulatórias necessárias. A expectativa é que o projeto avance nos próximos anos, transformando a unidade paulista em uma estrutura ainda mais importante para a produção e exportação de medicamentos respiratórios.

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Rebeca Ferreira

Rebeca Ferreira

Estudante de Publicidade e Propaganda na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.