A história do homem considerado santo que está enterrado em Anápolis e cujo túmulo recebe moedas e pedidos
No Cemitério São Miguel, fiéis deixam flores, placas de agradecimento e até garrafas de água para serem bentas
O Dia de Finados é, por costume, quando os cemitérios ao redor do Brasil registram o maior pico de visitas, e em Anápolis não é diferente. Em meio à lembrança de familiares, o luto e a saudade, um túmulo na cidade chama atenção.
Ele fica no Cemitério São Miguel, no Setor Central, e concentra doações de moedas, flores e placas de agradecimento. Pertence a João Alves da Cruz, considerado por alguns como um santo.
João nasceu em 1911 e era conhecido em Anápolis, ainda criança, por ter uma doença autoimune chamada de “Fogo Selvagem”.
Ele se caracteriza por bolhas e feridas profundas na pele, que podem se espalhar pelo corpo e ficar em carne viva, causando imensa dor. Mesmo assim, João da Cruz nunca teria sentido nada durante toda a vida.
Ele morreu cedo, aos 44 anos, em 1955. Contudo, a pouca idade não impediu que reunisse um forte grupo de devotos e se consolidasse no imaginário da cidade.
A recordação, porém, vai além da doença que tinha. A população reconhecia o beato pelo cuidado com a comunidade e pela fé que professava. Vivia de forma humilde e participava com frequência das práticas de caridade.
Por isso, sua memória é lembrada até hoje por fiéis que continuam visitando o túmulo. Quem passa por ali consegue encontrar o que é deixado para trás: dezenas de placas de agradecimento, moedas doadas, flores e até garrafas de água, levadas para serem bentas.
O Portal 6 repercutiu esta história em 2023. À época, o gestor do cemitério São Miguel afirmou que o túmulo era o mais visitado do local. Os admiradores de João da Cruz apareciam todas as segundas-feiras, levando pedidos ao santo e ajudando a manter o memorial.
Apesar do reconhecimento no município, não há registros de reconhecimento de santidade junto à Igreja Católica.
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