Obra que evitaria alagamentos em Anápolis só começa depois que as chuvas passarem

Secretário de Obras admite que as medidas de agora não resolvem e que a obra que resolve só será possível com recursos da União que ainda não chegaram

Imagem mostra transbordamento do Córrego das Antas, na altura da Amazílio Lino. (Foto: Isabella Valverde/Portal 6)
Transbordamento do Córrego das Antas, na altura da Amazílio Lino. (Foto: Isabella Valverde/Portal 6)

A previsão de 20 a 30 mm de chuva por hora até a próxima segunda-feira (9) reacende o medo de alagamentos em Anápolis. A cidade está sob alerta amarelo para tempestades do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com até 50 mm por dia e ventos de até 60 km/h.

Mais uma temporada de chuvas em Anápolis começa com 48 áreas de risco mapeadas pela Defesa Civil e dez bairros em situação de emergência por erosão. Enquanto isso, a principal obra contra alagamentos em Anápolis, a macrodrenagem, só deve ir a licitação em fevereiro, com R$ 30 milhões que a União ainda não liberou.

Por isso, o Portal 6 ouviu o secretário de Obras, Thiago de Sá, e o coordenador municipal de Defesa Civil, Rafael Farinha, sobre o que a Prefeitura consegue fazer agora e o que fica para depois.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Chuvas em Anápolis acima da média até o dia 15

De acordo com o CEMPA-Cerrado, da UFG, novembro deve ter chuvas irregulares e acima da média no estado, especialmente até o dia 15. Além disso, para Thiago, o El Niño pode agravar o quadro em uma cidade cortada por cinco bacias. “Especialmente a região baixa fica suscetível a alagamentos, e nas regiões dos bairros, infelizmente, não temos uma infraestrutura para reduzir os impactos”, afirma.

O que a Prefeitura faz agora

O secretário reconhece que ações imediatas não resolvem o problema. Para ele, a solução é a macrodrenagem, mas gestões passadas não investiram o suficiente nela. Já a atual, no cargo desde janeiro de 2025, fez menos do que pretendia, porque as obras planejadas dependem de recursos que ainda não chegaram.

Por enquanto, o trabalho é de manutenção: desassoreamento das bacias, recuperação da drenagem do Parque Onofre Quinan, que segura a água antes de ela chegar ao Centro, e limpeza de cerca de 250 bocas de lobo por mês, principalmente no Bairro de Lourdes. Além disso, a Prefeitura aposta na comunicação entre Defesa Civil, Bombeiros, CMTT, Equatorial e Saneago.

Obra contra alagamentos em Anápolis fica para 2027

Os R$ 30 milhões para a macrodrenagem vêm do Ministério das Cidades e estão em fase final de aprovação na Caixa. Primeiro, a liberação deve sair entre o fim de novembro e dezembro. Depois vem a licitação, em fevereiro, no meio do período chuvoso. Ou seja, a chuva desta temporada encontra a cidade sem a obra.

Thiago admite, ainda, que o município não tem como pagar por ela. “Hoje [a Prefeitura] passa por um problema fiscal muito grande. Nós não temos recursos para investimento dessa natureza e dessa ordem”, diz. Além disso, outros R$ 60 milhões para microdrenagem e R$ 40 milhões para mobilidade, também federais, ainda aguardam aprovação.

48 áreas de risco

O mapeamento da Defesa Civil, concluído no fim de outubro, aponta 48 áreas de risco, dez delas de erosão. Por isso, em 13 de outubro, a Prefeitura decretou emergência em dez bairros, o que acelera a captação de recursos para obras urgentes.

Imagem mostra erosão em avenida de Anápolis. Calçada cedeu e há blocos de concreto para impedir que moradores se aproximem, às margens de um córrego.

Prefeitura de Anápolis decretou situação de emergência para áreas de risco. (Foto: Paulo de Tarso/Prefeitura de Anápolis)

No entanto, nenhuma das medidas apresentadas prevê retirar famílias dessas áreas. A aposta, por sua vez, é a informação: campanhas de sinalização, palestras em escolas, câmeras nos pontos críticos e alertas no celular sem cadastro prévio. Mesmo assim, Rafael não esconde que o desastre virá. “Em um município do tamanho de Anápolis, isso é certo que vai acontecer. Agora o que a gente pode trabalhar é para que isso tenha o menor impacto possível”, diz.

Alagamentos em Anápolis: a morte mais recente foi em 2025

A Avenida Amazílio Lino é o endereço mais conhecido dos alagamentos em Anápolis, com anos de carros ilhados.

Em abril de 2025, Fábia Francisco de Castilho, de 44 anos, morreu perto do Parque da Matinha: a enxurrada derrubou a moto dela e a arrastou para debaixo de um carro.

Depois, em setembro, chuvas fortes derrubaram oito árvores na cidade.

Quem acionar

Em emergência, com risco de vida, ligue para o Corpo de Bombeiros, no 193. Se o problema pode esperar o dia seguinte, como uma boca de lobo entupida, a Defesa Civil atende pelo 197 e pelo WhatsApp (62) 98596-7576. Se o carro começar a encher de água, saia dele. Mas, se está apenas parado em uma via alagada e sem risco, espere ajuda, orienta Rafael.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.