A terceira maior favela de Goiás fica em Anápolis, e ela continua crescendo

Imagem aérea feita pelo Portal 6 mostra a dimensão do Jardim Esperança, que só fica atrás de duas comunidades do Entorno do DF no levantamento do MapBiomas

Vista aérea do Jardim Esperança, em Anápolis, a terceira maior favela de Goiás segundo o MapBiomas
Vista aérea do Jardim Esperança, em Anápolis, a terceira maior favela de Goiás. (Foto: Elvis Godoi/Portal 6)

Vista do alto, a mancha de telhados de fibrocimento e metal se estende até os galpões no horizonte. É o Jardim Esperança, em Anápolis, e é a terceira maior favela de Goiás, segundo levantamento do MapBiomas divulgado na última quarta-feira (4). São 109,02 hectares (ha) de área construída, atrás apenas de duas comunidades do Entorno do Distrito Federal (DF).

O número cobre o que já tem casas, ruas e superfícies impermeabilizadas. Antes, em 2024, eram 107,38 ha. Ou seja, o acréscimo de 1,64 ha em um ano equivale a pouco mais de dois campos de futebol. É nas bordas, onde ainda há hortas e terrenos vazios, que a ocupação tem espaço para seguir avançando.

Qual é a maior favela de Goiás

A maior favela de Goiás, pelo critério do MapBiomas, é o Jardim Umuarama, em Luziânia, com 146,32 ha. Em seguida vem o Mansões Lago do Descoberto, em Águas Lindas de Goiás, com 124,58 ha. Os dois municípios ficam no Entorno do DF, ou seja, na região que concentra as comunidades com maior peso sobre a área urbana no estado.

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Entre as três maiores, portanto, o Jardim Esperança é a única fora do Entorno. Depois dele vêm o Condomínio Embaixador, em Águas Lindas; o Eldorado Mansões Campestre, em Santo Antônio do Descoberto; e o Loteamento Daiana, em Silvânia.

O que a foto mostra

Poucas vias têm asfalto. Pela principal, por exemplo, que corta a comunidade na diagonal, passam carros e um ônibus. Já o restante das ruas é de terra batida, e entre uma casa e outra sobram árvores. Nos fundos, campos de várzea e canteiros de horta fazem a fronteira com o que ainda está vazio.

O MapBiomas mede apenas a mancha horizontal. Assim, o que cresce para cima não aparece no mapa, e o número de moradores fica fora da conta, como ressalta Júlio Pedrassoli, coordenador do tema urbano do projeto.

Terceira maior favela de Goiás cresce num estado que “não tinha favela”

Em todo o estado, a área construída nas favelas passou de 2.499 ha para 2.534 ha entre 2024 e 2025, alta de 1,40%. Enquanto isso, a área urbanizada total cresceu 0,95%. Até o Censo de 2022, no entanto, a ideia predominante era a de que Goiás não tinha favelas. O IBGE, então, identificou 152 comunidades, com 94,5 mil moradores à época.

Entre as que mais cresceram em um ano estão o Mansões Lago do Descoberto, com 4,86 ha a mais, e a Ocupação Marília Mendonça, em Aparecida de Goiânia. Esta última, por sua vez, dobrou de tamanho, de 4,72 ha para 9,38 ha.

*Colaborou Natália Sezil

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Danilo Boaventura

Danilo Boaventura

Jornalista graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduado em Docência em Comunicação pela Faculdade Cidade Verde (PR) e mestrando em Marketing Político pela Universidad del Salvador, de Buenos Aires.