Corumbá de Goiás completa 296 anos com turismo impulsionando economia e novos investimentos
Município que nasceu durante o ciclo do ouro hoje aposta em cachoeiras, patrimônio histórico, gastronomia e ecoturismo para atrair visitantes

Prestes a completar 296 anos, Corumbá de Goiás reúne patrimônio histórico, natureza preservada e uma vocação turística que vem ganhando força nos últimos anos.
O município, que nasceu em meio às expedições dos bandeirantes em busca de ouro, celebra aniversário nesta quinta-feira (9) e hoje se destaca como um dos principais destinos turísticos do estado.
A ocupação da região começou em 1731, nas margens do Rio Corumbá, onde foram encontrados depósitos do metal precioso.
O povoado cresceu impulsionado pela mineração e, ao longo dos séculos, preservou construções históricas, tradições culturais e parte da identidade formada durante o período colonial.
Com o fim do ciclo do ouro, a cidade passou a investir em uma nova atividade econômica: o turismo.
Atualmente, Corumbá integra a Rota dos Pirineus, região que recebe cerca de 80 mil visitantes por mês durante a baixa temporada e até 120 mil nos períodos de maior movimento.
Um dos principais atrativos é o Salto Corumbá, parque de ecoturismo que recebe aproximadamente 120 mil visitantes por ano.
O espaço reúne seis cachoeiras, incluindo a queda d’água de 50 metros que dá nome ao local. Curiosamente, durante o período da mineração, o curso do rio chegou a ser alterado para facilitar a exploração do ouro.
Além das cachoeiras e trilhas, o relevo montanhoso da região favoreceu o crescimento da vitivinicultura. Em alguns pontos, a altitude chega a 1.200 metros, criando condições climáticas favoráveis para a produção de vinhos.
A fabricação de queijos artesanais também ganhou espaço e passou a integrar os roteiros gastronômicos da região.
Outro destaque é o Caminho de Cora Coralina, percurso com mais de 300 quilômetros que liga Corumbá de Goiás à Cidade de Goiás e atrai praticantes de turismo de aventura e peregrinação.
Conservação da fauna
Entre os atrativos do município também está o Instituto NEX No Extinction, considerado o primeiro criadouro conservacionista do Brasil especializado em felinos silvestres ameaçados de extinção.
O espaço abriga atualmente 25 onças-pintadas e desenvolve um trabalho voltado à recuperação e reintrodução dos animais na natureza, além de receber visitantes interessados em conhecer o projeto.
Para o proprietário do Salto Corumbá, Rodrigo Estivallet, a principal motivação dos turistas é a busca por contato com a natureza e experiências fora dos grandes centros urbanos.
“As pessoas vão até Corumbá de Goiás em busca de contato com a natureza, viver experiências e estar em um contexto de desaceleração e contemplação”, afirma.
Turismo impulsiona novos investimentos
O crescimento do fluxo de visitantes também começa a refletir no mercado imobiliário. Condomínios voltados para casas de veraneio, locação por temporada e segunda residência vêm sendo implantados no município.
Segundo o coordenador de vendas Rodrigo Ribeiro, os terrenos com relevo acidentado têm sido os mais procurados por quem pretende construir imóveis integrados à paisagem natural.
A secretária municipal de Turismo, Gheovanna Lowrranny, avalia que o aumento desse tipo de empreendimento amplia a capacidade de hospedagem e fortalece o setor turístico.
Ela destaca ainda que o município desenvolve, em parceria com o Sebrae, um plano para conquistar a certificação de Destino Turístico Inteligente, concedida pelo Ministério do Turismo às cidades que adotam práticas voltadas à inovação, sustentabilidade e acessibilidade.
Patrimônio preservado
Para o professor de História Ramir Curado, um dos principais diferenciais de Corumbá de Goiás está na preservação do patrimônio histórico e das tradições culturais.
O centro histórico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e reúne cerca de uma centena de edificações coloniais preservadas, além do Museu de Arte Sacra, instalado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França.
A cidade também abriga a Corporação Musical 13 de Maio, fundada em 1890 e considerada a banda civil mais antiga em atividade em Goiás.
Entre as manifestações culturais que seguem vivas estão as Cavalhadas, realizadas em setembro durante a Festa de Nossa Senhora da Penha, as Folias do Divino Espírito Santo e as celebrações da Semana Santa, que movimentam moradores e visitantes todos os anos.
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