Dezenas de peixes aparecem mortos no Rio das Antas e Prefeitura de Anápolis investiga possível contaminação

Suspeita é de que a mortandade dos animais tenha sido causada pelo despejo irregular de dejetos vindos do setor industrial

Ícaro Gonçalves -
Rio das Antas
Peixes mortos apareceram na altura da confluência com o Córrego Estrema (Imagens: Reprodução e Arquivo/Portal 6)

A prefeitura de Anápolis encaminhou, neste mês de julho, uma equipe técnica para percorrer o leito do Rio das Antas e investigar o surgimento repentino de peixes mortos no curso d’água.

Segundo denúncia encaminhada ao Portal 6 por um morador do distrito de João Dutra, dezenas de peixes apareceram mortos no rio na última segunda-feira (06), na altura da confluência com o Córrego Estrema.

Imagens gravadas no local confirmam a situação, com diversos peixes, de diferentes tamanhos, boiando no curso d’água.

“Lá em casa, o pessoal foi pescar, depois já voltou, falou que meio que não tinha condição, estava passando muito peixe morto. E isso não é de agora não, já tem tempo”, narrou o morador à reportagem.

A suspeita é de que a mortandade tenha sido causada por contaminação vinda de indústrias do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia).

“Esse Córrego Estrema, quando você passa no trecho depois do Anaville, corre uma água verde nele, uma espuma. Deve ser de fábrica lá do Daia”, completou.

Em resposta à reportagem, a Prefeitura de Anápolis informou que já iniciou procedimentos para apurar a causa do acidente ambiental, incluindo a visita in loco de equipe técnica da Subsecretaria Municipal de Meio Ambiente.

Ainda segundo a Administração Municipal, já existe um histórico de casos registrados de lançamento irregular de dejetos vindos do Daia, o que já resultou em multa à administradora, a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego).

Confira a nota da Prefeitura de Anápolis na íntegra

A Subsecretaria Municipal de Meio Ambiente informa que já iniciou as providências técnicas e administrativas necessárias após encaminhar uma equipe técnica ao Rio das Antas e certificar sobre a mortandade de peixes.

A pasta ressalta que informações preliminares indicam que o evento pode estar relacionado à contaminação proveniente do Rio Estrema, afluente que recebe contribuição hídrica da região do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA).

Em razão desse cenário e histórico de ocorrências na região, as ações se concentrarão na apuração de eventuais lançamentos irregulares de efluentes e outras fontes de poluição relacionadas ao complexo industrial administrado pela Codego – cujos resultados dependerão das análises técnicas e ambientais.

Vale ressaltar, que o caso não é isolado. Há vários meses a Subsecretaria Municipal de Meio Ambiente vem fiscalizando e adotando medidas administrativas em razão de recorrentes ocorrências de degradação da qualidade das águas na bacia hidrográfica que recebe influência do Daia.

Em decorrência dessas ações, a Codego já foi autuada pelo Município e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), diante do descumprimento de obrigações ambientais e da persistência de irregularidades verificadas pelos órgãos de fiscalização.

No âmbito municipal, já foi aplicada multa diária à Codego, sem prejuízo das demais sanções administrativas e judiciais cabíveis.

Além disso, a Codego também foi alvo de medidas adotadas pelos órgãos ambientais estaduais e de responsabilização perante o Poder Judiciário, tendo sido condenada ao pagamento de custeio de programas e projetos ambientais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Anápolis.

Assim, a Administração Municipal reafirma seu compromisso com a proteção dos recursos hídricos, da fauna aquática e da saúde da população, e informa que continuará adotando todas as medidas administrativas, civis e criminais cabíveis para responsabilização dos causadores de danos ambientais.

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Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).

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