Aos 16 anos, ele transformou peças de carro e motor jogadas no ferro-velho em um robô movido a energia solar capaz de plantar sozinho, criando uma solução barata para quem plantava com as próprias mãos
Uma necessidade cotidiana inspirou criação surpreendente capaz de despertar interesse além das salas escolares brasileiras

Morador da zona rural de Cascavel, no Ceará, o estudante Ud Madeiro Pereira, de 16 anos, transformou materiais descartados em uma tecnologia voltada ao pequeno produtor rural.
Ao observar que muitos agricultores da região realizavam o plantio manual por não terem condições de adquirir tratores ou semeadoras, ele desenvolveu, ao lado das colegas Jamilly Lima e Ana Beatriz Fonseca, um robô movido a energia solar capaz de distribuir sementes de forma automática pelo solo.
O equipamento, batizado de Vespertílio, foi construído com peças reaproveitadas de carros, motocicletas e baterias de notebooks, além de utilizar uma plataforma Arduino para controlar o funcionamento.
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O robô percorre o terreno a cerca de três quilômetros por hora e permite programar a quantidade de sementes lançadas e o espaçamento entre elas, oferecendo maior precisão no plantio.
O custo estimado do protótipo ficou em aproximadamente R$ 3.500, valor significativamente inferior ao de máquinas agrícolas convencionais.
Inovação nasceu de um problema local
A iniciativa foi orientada pela professora Thayane Rabelo Braga Farias, da Escola Estadual de Educação Profissional Edson Queiroz.
Ao perceber o potencial da solução, ela inscreveu o projeto no prêmio Solve for Tomorrow, programa internacional da Samsung voltado a estudantes da rede pública que desenvolvem soluções científicas para desafios das comunidades onde vivem.
Em 2020, o robô conquistou o primeiro lugar na edição brasileira da competição, destacando-se pelo impacto social, uso de materiais recicláveis e proposta sustentável para a agricultura familiar.
Projeto ganhou novos horizontes
Após a premiação, a invenção despertou o interesse de profissionais da área de engenharia e passou a receber apoio para avançar além do ambiente escolar.
Em parceria com engenheiros da região, Ud participou da criação de uma empresa para desenvolver versões do robô em maior escala.
O projeto também foi selecionado para uma aceleradora de startups do Governo do Ceará, iniciativa que oferece suporte técnico e orientação para transformar pesquisas em soluções com potencial de mercado.
A trajetória do jovem cearense demonstra como a ciência aplicada pode contribuir para resolver problemas reais enfrentados no campo.
Ao unir reaproveitamento de sucata, energia solar e automação, o robô semeador apresenta uma alternativa acessível para pequenos agricultores, além de incentivar o empreendedorismo e a inovação entre estudantes da educação pública.
O projeto também reforça o papel da pesquisa escolar como ferramenta para desenvolver tecnologias capazes de gerar impacto social e ambiental positivo.
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