Avô plantou cana apenas para segurar o solo e, 80 anos depois, a nova geração transformou a mesma planta em uma cachaça premium batizada de ‘Terno de Mula’, no interior do Brasil

Cana plantada para conter a erosão atravessou gerações e deu origem a um negócio familiar de bebidas artesanais em Santa Catarina

Gustavo de Souza -
Avô plantou cana apenas para segurar o solo e, 80 anos depois, a nova geração transformou a mesma planta em uma cachaça premium batizada de ‘Terno de Mula’, no interior do Brasil
(Foto: Reprodução)

Uma decisão tomada para proteger a terra acabou sustentando uma família oito décadas depois. Em Ipuaçu, no Oeste de Santa Catarina, mudas de cana-de-açúcar plantadas contra a erosão deram origem a uma agroindústria familiar e à cachaça premium “Terno de Mula”.

A trajetória começou nos anos 1940, quando o agricultor Ivo Debiasi levou as primeiras mudas de São Paulo para a propriedade. Naquele momento, a intenção não era fabricar bebidas, mas usar as raízes da planta para dar estabilidade ao solo em áreas de relevo acidentado.

Segundo o NSC Total, a cana permaneceu na propriedade e ganhou uma nova função após a morte de Ivo, em 1983. O filho dele, José Hilton Debiasi, passou a produzir cachaça artesanalmente, com conhecimentos aprendidos dentro da própria família.

Nome resgata história do avô

A marca “Terno de Mula” homenageia o conjunto de animais utilizado por Ivo no transporte de madeira durante a colonização da região. Décadas depois, essa lembrança tornou-se a identidade do principal produto da Casa Debiasi.

A continuidade, porém, quase foi interrompida. Em 2018, André Debiasi e a esposa, Clariane, assumiram a atividade e iniciaram a profissionalização do negócio, com nova estrutura, assistência técnica e adequação dos processos.

Tradição ganhou novos mercados

A agroindústria foi regularizada junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária. O registro é necessário para autorizar o funcionamento de estabelecimentos que produzem e manipulam bebidas no país.

Além da cachaça, a propriedade passou a fabricar vinhos, licores, geleias e açúcar mascavo. Mesmo com a diversificação, a família afirma preservar a produção artesanal e o conhecimento transmitido entre gerações.

Assim, a planta que inicialmente protegia o terreno passou a garantir renda e continuidade ao legado familiar.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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