Funcionário com mais de 20 anos de história nas Casas Bahia dá o último adeus em meio ao anúncio de 2 mil demissões e do fechamento de quase 300 lojas: ‘Coração cheio de gratidão’
Depois de tantos anos, uma despedida ganhou repercussão justamente quando tudo começou mudar

Após 21 anos de trabalho em uma unidade das Casas Bahia em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, o ex-funcionário Edson Silva publicou um vídeo nas redes sociais para marcar o encerramento de sua trajetória na empresa.
Na mensagem, ele afirmou que estava fechando “um dos capítulos mais importantes” de sua vida profissional e demonstrou gratidão pelo período vivido na rede.
O relato ganhou destaque em meio à atual reestruturação do grupo, que anunciou cortes de pessoal e fechamento de lojas. Reportagem da Folha de S.Paulo confirmou o caso de Edson e outros relatos de trabalhadores desligados.
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A despedida ocorre em um momento delicado para o Grupo Casas Bahia. Em agosto de 2026, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial, processo usado por empresas em dificuldade financeira para reorganizar dívidas e tentar manter as atividades.
A empresa informou o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários, número superior às 2 mil demissões mencionadas no título inicial. A medida faz parte de uma reestruturação para reduzir custos diante da pressão sobre as operações.

(Imagem: Reprodução/Captura de tela/Instagram)
Uma história de 21 anos
O caso de Edson representa uma das muitas trajetórias afetadas pela mudança na operação da varejista. Ao se despedir, ele destacou o sentimento de gratidão pelo período em que fez parte da companhia, transformando o desligamento em um registro pessoal de sua passagem pelo comércio.
A repercussão veio justamente quando outros ex-colaboradores também passaram a compartilhar experiências nas redes sociais após os cortes anunciados pela empresa.
Crise e reestruturação
A situação financeira do grupo se agravou ao longo dos últimos anos. Em 2024, a Casas Bahia havia recorrido a uma recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas, em um acordo com credores.
Apesar da redução do endividamento, a empresa continuou pressionada por juros elevados e despesas financeiras.
Em 2025, registrou prejuízo líquido de R$ 2,98 bilhões, embora parte relevante desse resultado tenha sido influenciada por efeitos contábeis não recorrentes.
A nova recuperação judicial foi apresentada pela companhia em um cenário ainda mais difícil. No segundo trimestre de 2026, o grupo registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 9,1 bilhões decorreram de efeitos contábeis sem impacto direto no caixa, segundo informações divulgadas sobre o pedido.
A empresa busca agora reorganizar sua estrutura financeira e manter a operação, enquanto trabalhadores como Edson encerram ciclos construídos ao longo de décadas.
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