Fim de uma era: depois de anos de reclamações da vizinhança e de um acordo com o Ministério Público, fábrica com 75 anos encerra produção e vai virar centro de distribuição
Unidade histórica deixa de fabricar um dos principais produtos após décadas de operação e passa por uma mudança definitiva de função

Depois de 75 anos de atividade, uma fábrica tradicional de São Paulo deixou de produzir e entrou em uma nova fase. A mudança encerra um longo ciclo industrial marcado, nos últimos anos, por reclamações de moradores e acompanhamento de órgãos ambientais.
A unidade fica em Santo Amaro, na zona Sul da capital paulista, e pertence à Isover, marca do grupo francês Saint-Gobain. Desde 1951, o local era usado para fabricar lã de vidro, material aplicado principalmente em isolamento térmico e acústico.
O encerramento, porém, não significa que o endereço será abandonado. Depois da desativação industrial, a empresa decidiu transformar a área em um centro de distribuição, mantendo parte da operação logística no local.
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A mudança já vinha sendo prevista em um acordo para encerrar a produção da fábrica, firmado antes do fechamento definitivo.
Reclamações da vizinhança antecederam acordo
Durante anos, moradores do entorno relataram episódios de fumaça, fuligem, odores fortes e ruídos provenientes da fábrica. As queixas chegaram ao Ministério Público de São Paulo e à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a Cetesb.
Além disso, entre 2023 e 2025, a companhia recebeu autos de infração relacionados principalmente a odores percebidos fora dos limites da unidade e ao descumprimento de penalidades anteriores.
O Termo de Ajustamento de Conduta definiu que a fabricação deveria terminar até 4 de julho de 2026. Já o forno industrial precisava ser desligado até o fim daquele mesmo mês.
Caso o cronograma não fosse cumprido, o acordo previa multa diária de R$ 10 mil.
Fábrica passa a funcionar como centro de distribuição
A Isover confirmou que continuará atuando no Brasil. Portanto, a mudança atinge especificamente a fabricação realizada em Santo Amaro e não representa o encerramento das atividades da marca no país.
Agora, o imóvel passa a concentrar armazenamento e distribuição de produtos. Além disso, o acordo prevê gerenciamento de áreas contaminadas, destinação de resíduos e acompanhamento ambiental mesmo após o fim da produção.
O encerramento também afeta trabalhadores, prestadores de serviço, fornecedores e transportadoras ligados à antiga operação industrial. Uma mudança semelhante na indústria também mostrou como reorganizações fabris podem alcançar diferentes etapas da cadeia produtiva.
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