Aos 40 anos, doméstica que trabalhava na casa de dois desembargadores decide cursar Direito, concilia faxina, cozinha e trabalho como garçonete com os estudos e, aos 46, conquista aprovação na OAB
Sonho antigo ganhou força depois de anos em diferentes empregos e levou trabalhadora a retomar os estudos já na vida adulta

Durante anos, Cosma Mendes passou por diferentes empregos para garantir a própria renda. Trabalhou como diarista, cozinheira, garçonete, doméstica e até agente funerária antes de retomar um objetivo que havia deixado para trás.
A mudança ganhou força enquanto ela trabalhava na casa de dois desembargadores, no Distrito Federal. Ao acompanhar de perto a rotina profissional dos magistrados, voltou a considerar seriamente uma carreira na área jurídica.
Foi então que, aos 40 anos, que a empregada doméstica, Cosma decidiu se matricular no curso de Direito. A escolha iniciou uma nova etapa marcada pela necessidade de conciliar trabalho, estudos e uma rotina que já havia exigido dela diferentes ocupações ao longo da vida.
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Aos 40 anos, começou a cursar Direito
Cosma iniciou a graduação na Faculdade Fortium. Depois de três semestres, conseguiu transferência para o Instituto Brasiliense de Direito Público, o IDP, onde seguiu até concluir a formação.
Durante a trajetória profissional, ela já havia passado por trabalhos de faxina, cozinha e atendimento como garçonete. Além disso, também atuou como agente funerária, ocupação na qual atendia famílias e acompanhava diferentes etapas do serviço.
A rotina lembra outras histórias de trabalhadores que precisaram encaixar a faculdade entre jornadas extensas, como a de uma gari que pedalava 11 km para estudar Direito.
Cosma concluiu a graduação em novembro de 2018, aos 45 anos. Porém, ainda faltava uma etapa para conseguir exercer a advocacia: a aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil.
Aprovação na OAB veio depois da graduação
Na preparação para o exame, Cosma recebeu apoio do advogado Mateus de Lima Costa Ribeiro. Os dois participaram de um projeto que acompanhou a rotina de estudos dela até a realização da prova.

(Imagem: Divulgação/Redes Sociais/Metrópoles)
O esforço terminou com a aprovação em 2019, quando Cosma tinha cerca de 46 anos. Com o resultado, ela passou a poder seguir o caminho profissional que havia retomado seis anos antes.
Histórias semelhantes mostram que a formação jurídica pode começar em fases diferentes da vida. Uma faxineira que trabalhava em salas de faculdade também conseguiu concluir Direito aos 60 anos.
Outro caso envolve um gari que conciliava coleta de lixo, estágio e faculdade até conquistar a carteira da OAB.
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