Joaquim Souza, serralheiro há 22 anos: “7 em cada 10 motores de portão automático queimam porque o trilho está desalinhado; é só alinhar para evitar esforço no motor e aumentar a vida útil”

Um detalhe que costuma passar despercebido pode fazer o portão trabalhar mais do que deveria e acelerar o desgaste de peças importantes

Isabella Cavalcante Isabella Cavalcante -
portão automático
(Foto: Reprodução/Captura de tela/Youtube)

Quem tem portão automático em casa geralmente só presta atenção no equipamento quando ele começa a apresentar problemas. Barulhos diferentes, dificuldade para abrir e movimentos mais lentos, porém, podem indicar que existe algo errado antes de o motor parar de funcionar.

Segundo o serralheiro Joaquim Souza, que atua há 22 anos na profissão, o nivelamento do trilho merece atenção especial. Quando existe desalinhamento, o portão pode encontrar mais resistência durante o percurso e exigir esforço adicional do motor.

O que o trilho tem a ver com o motor?

O automatizador movimenta o portão, mas o sistema precisa permitir que a estrutura deslize corretamente. Trilho, roletes e cremalheira trabalham juntos para conduzir o portão durante a abertura e o fechamento.

Quando alguma dessas partes apresenta irregularidade, o motor pode precisar compensar a resistência. Com o uso repetido, esse esforço adicional pode contribuir para o aquecimento e o desgaste de componentes.

Por isso, trocar o motor sem investigar o restante do mecanismo pode não resolver a origem do problema. Se o trilho continuar oferecendo resistência, o novo equipamento também terá de trabalhar sob condições inadequadas.

Quais sinais indicam que há algo errado?

O primeiro sinal pode aparecer justamente no som produzido pelo portão. Um ruído de arrasto durante a abertura ou o fechamento merece atenção, principalmente quando não existia antes.

Além disso, observe se o portão demora mais para completar o percurso ou apresenta dificuldade para começar a se movimentar. Travamentos, perda de velocidade e movimentos mais pesados em determinados pontos também podem indicar irregularidades.

Outro detalhe é perceber se o equipamento funciona melhor em uma direção do que na outra. Essa diferença pode ajudar a identificar um ponto específico do percurso que precisa de avaliação.

Como fazer o teste do nível de bolha?

Uma verificação inicial pode ser feita com um nível de bolha. O objetivo não é consertar o trilho em casa, mas identificar se existe alguma diferença que justifique chamar um profissional.

Antes de começar, desligue a alimentação do automatizador. Depois, destrave o portão pelo mecanismo manual indicado pelo fabricante e limpe o trilho para retirar sujeiras que possam interferir na observação.

Em seguida, coloque o nível de bolha em diferentes pontos do trilho. Faça a medição no início, no meio e no final do percurso e observe se a posição da bolha apresenta alterações.

Caso encontre uma diferença, marque o local para informar ao profissional responsável pela manutenção. A avaliação doméstica serve apenas como uma indicação inicial e não substitui o diagnóstico técnico.

Por que não vale a pena mexer sozinho?

Embora o teste seja simples, o reparo exige mais cuidado. Um trilho pesado, um automatizador ou componentes elétricos podem oferecer riscos quando alguém tenta desmontá-los sem conhecimento técnico.

Por isso, não é recomendável tentar corrigir o alinhamento, desmontar o motor ou alterar a parte elétrica por conta própria. Se o portão estiver travando, aquecendo demais ou apresentando ruídos fortes, procure um profissional qualificado.

Água acumulada também pode dar uma pista

Outro ponto que merece observação é a presença recorrente de água em determinado trecho do trilho. Se uma poça aparece sempre no mesmo lugar, pode existir uma região mais baixa na estrutura.

Esse sinal, sozinho, não confirma um problema de nivelamento. Ainda assim, a informação pode ajudar o técnico durante a inspeção do equipamento.

O motor não é o único responsável

Quando um portão automático apresenta falhas, é comum pensar imediatamente que o motor queimou e precisa ser substituído. No entanto, outros componentes também podem contribuir para o problema.

Trilho, roletes, cremalheira e alimentação elétrica precisam entrar na avaliação. Dessa forma, o profissional consegue descobrir se existe uma causa anterior que esteja sobrecarregando o automatizador.

Essa análise é importante porque instalar um motor novo sem corrigir uma resistência no percurso pode fazer o equipamento continuar trabalhando acima do necessário.

Como aumentar a vida útil do portão?

A manutenção preventiva ajuda a perceber alterações antes que elas se transformem em problemas maiores. Por isso, vale observar regularmente o funcionamento do portão e prestar atenção a mudanças no som, na velocidade e na facilidade de movimentação.

Além disso, mantenha o trilho livre de sujeira e observe o estado dos roletes e da cremalheira. Desgastes concentrados em determinados pontos também podem indicar que o sistema não está trabalhando de maneira uniforme.

Quanto mais cedo uma irregularidade aparecer, maiores são as chances de corrigir a situação antes que outros componentes sejam afetados.

Um teste simples pode evitar um problema maior

O portão automático costuma chamar atenção apenas quando deixa de funcionar. Entretanto, ruídos, travamentos e mudanças no movimento podem surgir muito antes de uma falha completa.

Por isso, observar o trilho com um nível de bolha pode ajudar a identificar uma possível irregularidade. Se o teste indicar diferença ou se o portão apresentar resistência durante o percurso, procure um profissional para avaliar o sistema.

Assim, um cuidado que leva poucos minutos pode ajudar o proprietário a perceber sinais de desgaste e evitar que um problema no trilho sobrecarregue o motor. O mais importante, porém, é não tentar fazer reparos estruturais ou elétricos sem conhecimento técnico.

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